Nelson Rodrigues Filho morre na madrugada desta quarta-feira (25), no Rio de Janeiro, aos 79 anos. Conhecido como Nelsinho, ele enfrentava, desde 2024, as sequelas de um AVC. A informação foi divulgada pelo colunista Ancelmo Gois.
Carioca, Nelsinho era filho do dramaturgo Nelson Rodrigues, um dos maiores nomes do teatro brasileiro. Apesar do sobrenome de peso, construiu trajetória própria nas artes, atuando como diretor, produtor cultural e roteirista.
Ao longo da vida, tornou-se figura conhecida no cenário cultural da cidade. Entre suas principais contribuições está a fundação do bloco Bloco Barbas, movimento que ajudou a impulsionar a retomada do carnaval de rua no Rio. O nome do bloco fazia referência à sua marca pessoal: a barba longa que o acompanhou durante décadas.
A revitalização dos blocos de rua transformou o carnaval carioca em um fenômeno de ocupação urbana e celebração popular, fortalecendo a cultura local e ampliando a participação da população nas festas.
Além da atuação cultural, Nelsinho também teve trajetória marcada pela militância política. Durante a ditadura militar, integrou o MR-8, organização de resistência ao regime, e foi preso, permanecendo encarcerado por sete anos.
Em entrevistas ao longo da vida, afirmou acreditar que sobreviveu ao período de repressão por conta do prestígio público de seu pai à época. A experiência marcou profundamente sua história pessoal e o inseriu entre os militantes que enfrentaram os anos mais duros do regime.
Com a morte de Nelson Rodrigues Filho, o Rio perde uma figura que transitou entre cultura, política e carnaval, deixando marca na história da cidade e seu legado segue vivo nas ruas que ajudou a reocupar com música, resistência e celebração.



