A prisão domiciliar de Monique Medeiros foi negada pela Justiça do Rio de Janeiro poucos dias antes do julgamento do caso Henry Borel. A decisão foi tomada pela 2ª Vara Criminal da capital, mantendo a professora presa preventivamente enquanto aguarda o início do Tribunal do Júri.
A defesa havia solicitado que Monique pudesse cumprir prisão em casa para facilitar a preparação para o julgamento. Os advogados argumentaram que, fora do presídio, ela teria melhores condições para discutir a estratégia de defesa.
O juiz responsável pelo caso, no entanto, rejeitou o pedido. Na decisão, ele afirmou que o sistema prisional oferece estrutura adequada para que a ré se reúna com seus advogados em salas reservadas, permitindo a preparação necessária para o julgamento.
Monique permanece presa após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que restabeleceu sua prisão preventiva durante o andamento do processo.
O julgamento está previsto para começar no dia 23 de março e deve se estender por mais de três dias. Além de Monique Medeiros, também estará no banco dos réus o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho.
Na época da morte do menino Henry Borel, Jairinho era companheiro de Monique. Os dois respondem na Justiça por homicídio triplamente qualificado.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Henry, que tinha quatro anos, foi vítima de agressões e tortura. A acusação aponta Jairinho como o responsável direto pelas violências.
Já Monique Medeiros é acusada de participação no crime ou de omissão ao não impedir as agressões contra o próprio filho.
Jairinho está preso preventivamente desde abril de 2021, quando as investigações avançaram após a morte da criança.
O laudo do Instituto Médico Legal apontou que Henry morreu em decorrência de hemorragia interna causada por uma laceração no fígado. Os peritos também identificaram 23 lesões espalhadas pelo corpo do menino.
Entre as primeiras testemunhas previstas para depor no julgamento está Leniel Borel, pai da criança e atualmente vereador no Rio de Janeiro.
Paralelamente ao processo principal, a defesa de Jairinho apresentou um pedido à Justiça para impedir que o laudo da necropsia seja utilizado durante o julgamento.
Os advogados alegam que o documento teria sofrido alterações ao longo da investigação.
Leniel Borel contestou essa acusação e afirmou que a iniciativa teria como objetivo atrasar o andamento do julgamento.
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro informou que todos os exames realizados seguiram critérios técnicos e que laudos complementares foram produzidos durante a investigação.
O caso Henry Borel ganhou grande repercussão em todo o país desde a morte da criança, em 2021.
Agora, cinco anos depois, o processo chega à fase do Tribunal do Júri, quando os acusados serão julgados por um conselho de jurados.





