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Delegado da PF e preso por ligação com crime organizado é acusado de trocar favores por cargo para esposa

Foto: Reprodução
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O caso do delegado da Polícia Federal preso por ligação com o Comando Vermelho ganhou novos detalhes após investigações apontarem que o policial teria negociado favores com integrantes da facção criminosa em troca da nomeação da esposa para um cargo comissionado. Fabrízio Romano foi preso na última segunda-feira (9) durante a Operação Anomalia, deflagrada pela Polícia Federal.

De acordo com a investigação, o delegado teria atuado em conjunto com o ex-secretário de Estado Alessandro Pitombeira Carracena e com a advogada Patrícia Carvalho Falcão para interferir em um processo de extradição envolvendo o traficante holandês Gerel Lusiano Palm.

O criminoso foi preso em 2021, no Rio de Janeiro, acusado de tentativa de homicídio, porte ilegal de armas e tráfico de drogas.

Segundo os investigadores, Fabrízio Romano teria utilizado sua posição dentro da Polícia Federal para tentar favorecer o traficante. Documentos reunidos durante a apuração indicam que o delegado buscava vantagens em troca de sua atuação.

De acordo com registros analisados pelos investigadores, o delegado solicitava adiantamentos financeiros e teria negociado, como contrapartida, a nomeação de sua esposa, Monica Gil Câmara Romano, para um cargo comissionado.

A investigação aponta que a articulação envolveu reuniões e trocas de mensagens entre os suspeitos ao longo de novembro e dezembro de 2023.

Conversas obtidas pelos investigadores mostram que, dois dias após um primeiro contato entre Romano e Carracena sobre o caso do traficante, foram providenciadas passagens aéreas para Brasília com o objetivo de participar de uma reunião no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo a apuração, as passagens teriam sido compradas pela advogada Patrícia Carvalho Falcão.

Após o encontro em Brasília, novas mensagens teriam sido trocadas entre os investigados. Em uma delas, Fabrízio Romano pergunta a Carracena se a reunião havia ocorrido conforme o esperado.

Em seguida, o delegado questiona se a advogada envolvida no caso estaria “com o coração mole” para um “adiantamento”. Para os investigadores, a expressão indicaria a possibilidade de pagamento de valores como vantagem indevida.

Carracena responde na conversa que estaria “trabalhando nessa possibilidade”, o que, segundo a investigação, indicaria que as negociações ainda estavam em andamento.

Em outra troca de mensagens registrada em dezembro de 2023, Romano pede informações sobre um número de inquérito relacionado ao estado de São Paulo.

Na conversa, ele afirma que colocaria uma “sombra” para levantar informações sobre uma pessoa não identificada no diálogo.

Para os investigadores, a expressão sugere que o delegado pretendia utilizar alguém para realizar o levantamento de dados de forma discreta, sem exposição direta dos envolvidos.

Ainda no mesmo dia, Romano teria enviado a Carracena documentos relacionados à sua esposa, Monica Gil Câmara Romano.

Meses depois desse contato, ela acabou sendo nomeada para um cargo comissionado, fato que passou a integrar o conjunto de evidências analisadas pela Polícia Federal.

As investigações fazem parte da Operação Anomalia, que apura suspeitas de corrupção, favorecimento a integrantes do crime organizado e interferência em processos sensíveis dentro da estrutura pública.

A Polícia Federal continua analisando documentos, registros de mensagens e movimentações financeiras para identificar a extensão do esquema e possíveis outros envolvidos.

O caso segue sob investigação e pode ter novos desdobramentos à medida que os investigadores aprofundam a análise das provas reunidas durante a operação.

Enquanto isso, o episódio envolvendo o delegado da PF preso por ligação com o Comando Vermelho aumenta a pressão por esclarecimentos sobre possíveis infiltrações do crime organizado em estruturas do poder público.

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