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Ars Gratia Artis: O cosmo, síntese do seu pensamento

Reprodução Internet

Foi em Berlim Leste, na RDA, que, ao passar frente à Universidade que tem o seu nome, tomei consciência em 1978 da minha ignorância sobre Humboldt.

Mas somente muitos anos depois, quando residia em Cuba, li pela primeira vez um livro seu. Humboldt era muito popular entre os intelectuais da Ilha. Fidel admirava-o, citava-o com frequência, e fizera traduzir muitos dos seus livros.

Quase esquecido hoje fora dos meios acadêmicos, Humboldt foi um dos últimos humanistas de cultura integrada, aberta a todos ramos do conhecimento científico. Eminentes naturalistas identificam nele um precursor do darwinismo.

Segundo The Economist, os atuais ecologistas “devem tudo” a Humboldt. E na opinião da The New York Review of Books, “as suas teorias nunca estiveram tão vivas”.

Humboldt tinha mais de 65 anos quando concebeu a ideia de um livro que, escreve Andrea Wulf, representasse numa “única obra de todo o mundo material”.

Foi, inesperadamente, o mais famoso dos seus livros: Cosmo, Um Esboço da Descrição Física do Universo. O primeiro tomo foi publicado na Alemanha em 1845,seis anos depois de iniciado.

Humboldt transporta os leitores – comenta Wulf – numa viagem desde o espaço exterior até à Terra”.

O segundo tomo foi publicado dois anos mais tarde, em 1847. Nele conduz o leitor – esclarece a biógrafa – “numa viagem do espírito pela história humana desde antigas civilizações até aos tempos modernos”.

Em 1850/51 publicou o terceiro tomo. Na introdução informou que seria o último e nele tentava superar deficiências dos anteriores.

Mas afinal escreveu mais dois tomos. O quarto, em 1857, incidia sobre o geomagnetismo, os vulcões e os terramotos.

Humboldt, muito debilitado após uma apoplexia, continuou a escrever com a paixão de um jovem. Segundo Andrea Wulf, recebia aproximadamente 4 000 cartas por ano e respondia ainda a mais de 2000.

Desde a morte do irmão sua tendência para a solidão acentuou-se. Wilhelm e ele eram muito diferentes. O irmão era também um sábio, mas também um diplomata. Foi embaixador na Itália, na Inglaterra e na Áustria e fundador da Universidade de Berlim, quando ministro da Educação. Desde meninos uma amizade indestrutível os uniu.

Escreveu o quinto tomo já muito doente. Enviou o manuscrito ao editor semanas antes de morrer e foi publicado postumamente.

Quando faleceu, a 6 de maio de 1859, tinha 89 anos.

Em toda a Europa, na América e na Ásia foram escritas milhares de páginas sobre o cientista e o homem.

Para o rei Guilherme IV da Prússia, Alexander Von Humboldt foi “o maior homem desde o Dilúvio”.

Primeira Edição: ODiario.info – www.odiario.info/humboldt-e-o-descobrimento-da-natureza/

Fonte: http://resistir.info

Transcriçãoe HTML: Fernando Araújo.

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