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Eduardo Paes critica segurança pública do estado e fala sobre caso de vereador preso

Foto: Reprodução
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Eduardo Paes critica segurança pública do estado ao comentar a situação da violência no Rio de Janeiro neste domingo (15), durante o início do patrulhamento da Força Municipal, divisão de elite da Guarda Municipal. A declaração foi feita no Centro de Operações da Prefeitura (COR), onde o prefeito também abordou a investigação envolvendo um vereador da cidade.

Durante o evento, o prefeito afirmou que o problema da violência no estado exige planejamento e gestão pública. Segundo ele, soluções baseadas apenas em discursos ou demonstrações de força não são suficientes para enfrentar a criminalidade.

“O Rio de Janeiro já viu de tudo. Governante que ia acabar com a violência em três meses, o que ia dar ‘tiro na cabecinha’, governantes ou secretários governantes metidos a valentões. Só no governo Cláudio Castro, são quatro secretários ligados à área de segurança pública presos por ligações com o crime”, disse o prefeito.

Em seguida, Paes reforçou que a segurança pública precisa ser tratada com responsabilidade administrativa. “Nós estamos aqui fazendo algo sério. Segurança pública não se faz com cara feia e nem discurso valentão. Se faz com administração pública, planejamento, gestão. Assim que vai se transformar a segurança pública no estado do Rio”, afirmou.

O prefeito também criticou o impacto político de escândalos envolvendo a área de segurança. “Não dá para o policial arrisque sua vida diariamente quando todo dia vê no noticiário o governador envolvido em escândalo. Quando ele vê, principalmente, o governador ser leniente, conivente, quando seus secretários são presos”, declarou.

Paes ainda comentou a prisão do vereador Salvino Oliveira, ocorrida durante uma operação da Polícia Civil contra integrantes do Comando Vermelho. O parlamentar foi detido na quarta-feira (11) e posteriormente liberado por decisão da Justiça.

“Nós não vamos aceitar uso político das forças policiais. Todo mundo viu o que aconteceu. Se algum agente público, político, envolvido comigo, tiver alguma ligação com o crime, não vou me omitir igual faz o Governo do Estado. Eu desafiei o governador do estado a falar dos quatro secretários presos dele desde quarta, não ouvimos uma palavra ainda. Não há nada contra o secretário Salvino. Se houver, ele deixa de contar com a minha solidariedade”, afirmou o prefeito.

Salvino Oliveira deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, na tarde de sexta-feira (13). A soltura ocorreu após decisão do desembargador Marcus Henrique Basílio, que revogou a prisão temporária decretada durante a operação.

Na decisão, o magistrado avaliou que os elementos apresentados até o momento não seriam suficientes para manter o parlamentar preso. Mesmo em liberdade, o vereador terá que cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça.

Entre as determinações, está a proibição de deixar o estado por mais de 15 dias sem autorização judicial, além de não manter contato com outros investigados no caso.

A prisão ocorreu durante a Operação Contenção Red Legacy, que teve como alvo a estrutura nacional da facção criminosa. De acordo com a Polícia Civil, o vereador teria sido incluído na investigação após surgirem indícios de ligação com integrantes do grupo.

Segundo os investigadores, o parlamentar teria tentado interferir politicamente em áreas dominadas pelo tráfico com o objetivo de ampliar bases eleitorais. A corporação também apontou suspeitas de que ele buscou autorização indireta do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para realizar campanha em uma comunidade da Zona Oeste.

As investigações indicam ainda que a comunicação com o comando da facção teria ocorrido por meio de um intermediário conhecido como “Dom”, apontado como elo entre o núcleo operacional do grupo e agentes externos. O homem foi executado em maio de 2025 em um caso investigado pela polícia como possível queima de arquivo.

Outro ponto analisado pelos investigadores envolve a construção de quiosques em uma região da cidade. Segundo a Polícia Civil, parte dessas estruturas teria sido destinada a beneficiários indicados por integrantes da facção criminosa, sem a realização de um processo público transparente.

O vereador nega qualquer ligação com o tráfico e afirma ser vítima de perseguição política. Ele também declarou não conhecer o traficante citado nas investigações nem pessoas apontadas como intermediárias.

A prisão e a investigação provocaram forte reação política e ampliaram o embate público entre o prefeito do Rio e o governador do estado. Nas redes sociais, o governador afirmou que o vereador teria ligação com o comando da facção dentro da administração municipal.

Já o prefeito saiu em defesa de aliados e classificou as acusações como parte de um ataque político ao seu grupo.

Salvino Oliveira integrou o primeiro escalão da prefeitura entre 2021 e 2024, quando ocupou o cargo de secretário municipal da Juventude. Ele deixou a função para disputar uma vaga na Câmara de Vereadores nas eleições seguintes.

As investigações continuam em andamento e devem apurar se houve participação do parlamentar em ações relacionadas à organização criminosa investigada pela Polícia Civil. Enquanto isso, o caso segue alimentando o debate político sobre segurança pública e gestão no estado do Rio de Janeiro, tema que permanece no centro das discussões na capital.

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