O caso Kathlen Romeu ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (19), com a condenação de três policiais militares por fraude processual após a constatação de que houve alteração de provas na cena do crime.
Foram condenados os agentes Rafael Chaves de Oliveira, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano. Segundo as investigações, os três teriam manipulado o local antes da chegada da perícia, interferindo diretamente na coleta de evidências.
A decisão foi tomada pela 6ª Câmara Criminal, que acolheu recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro contra a absolvição anterior dos acusados, determinada pela Auditoria da Justiça Militar. Com isso, os policiais receberam pena de dois anos e 15 dias em regime inicial aberto, com substituição por medidas condicionais pelo prazo de três anos.
De acordo com a denúncia, os agentes removeram cartuchos de munição da cena e tentaram sustentar a versão de que houve confronto armado na região. A intenção seria justificar a morte da jovem durante uma suposta troca de tiros.
O relator do caso destacou que as provas não indicam a ocorrência de confronto. “Entendo que a prova dos autos aponta para a não ocorrência de confronto armado que justifique a apreensão dos doze estojos de munição deflagrados, material incompatível em quantidade e qualidade com os relatos das testemunhas presentes no local e com as conclusões da prova técnica”, afirmou o desembargador em decisão.
Ele também reforçou que a análise das evidências aponta inconsistências relevantes. “A análise da prova realizada pelo Ministério Público demonstra que não houve confronto armado (ou, caso tenha ocorrido, esse confronto não produziria os vestígios apresentados pelos agentes); bem como que a remoção dos vestígios não seria justificada pelas circunstâncias do caso concreto”, completou.
Além da condenação por fraude processual, dois dos policiais ainda respondem pelo homicídio de Kathlen Romeu. O julgamento pelo júri popular ainda não tem data definida, mas deve ocorrer no primeiro semestre deste ano.
O caso remonta a junho de 2021, quando Kathlen Romeu, de 24 anos e grávida de quatro meses, foi baleada durante uma ação policial no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio.
A condenação reacende discussões sobre a condução de investigações em operações policiais e mantém o caso entre os mais emblemáticos da segurança pública no estado.





