Em pleno domingo de Páscoa, Amanda, minha única e amada filha, chamou o filho mais velho, meu neto Dom, e este deu-me a prova de português que fez. Nela pude ver as dúvidas que não só ele, mas vários adolescentes do sétimo ano têm para classificar os dígrafos vocálicos sem confundi-los com outros tipos de segmentos de grafemas. Para isso, apropriei-me da explicação de meu amado professor Evanildo Bechara, em sua Gramática Fácil, na qual ele diz o seguinte aos consulentes: “Não se há de confundir dígrafo ou diagrama com encontro consonantal. Dígrafo é o emprego de duas letras para a representação gráfica de um só fonema, já que uma delas é a letra diacrítica (aquela que se junta a outra para lhe dar valor fonético especial e construir um dígrafo. Em português as letras diacríticas são h, r, s, c, ç, u para os dígrafos consonantais e m e n para os dígrafos vocálicos).” Depois do prazer de eu ler os ensinamentos de meu professor Bechara, indaguei ao neto: Não é fácil, Dom? Percebeu que seu nome é um caso de dígrafo vocálico?” Afinal, Dom apresenta três letras e dois fonemas, justamente pelo fato de a vogal O formar com o M que está terminando a sílaba e que é a letra diacrítica (a segunda letra do dígrafo) esse tipo de dígrafo. Mostrei a ele que fonologicamente Dom fica /Dõ/. Usando a mesma explicação, disse-lhe: “Dom, o nome de sua mãe é também um outro exemplo desse tipo de dígrafo”.
Para facilitar sua análise, orientei-o a separar sempre a palavra que será analisada em sílabas, a fim de ficar mais visível a existência ou não do dígrafo. Com isso, ele separou A-maN-da e constatou que a letra N formou, com a vogal A, um dígrafo vocálico; uma vez que o N “subiu” sobre a vogal A, gerando /AMãDA/, com cinco fonemas. Visivelmente empolgado por ter entendido como identificar o dígrafo vocálico, meu aluno mais amado quis mostrar que entendeu, dando-me os seguintes exemplos: AMpla, ANda, EMpada, ENtra, ÍMpar, sINto, OMbro, cONta, UMbigo, UNtar. Confesso que fiquei emocionada e orgulhosa com a capacidade de meu Dom assimilar os conteúdos!
Voltando à realidade da “avó-explicadora”, retomei a ” aula”, revisando o dígrafo consonantal, que aparentemente os alunos sabem identificar, visto que são aqueles que têm a letra diacrítica representada por h, r, s, c, ç, u, conforme observado em soNHo, caRRo, páSSaro, piSCina, naSÇa, QUero, linGUiça. Sobre esse outro tipo de dígrafo que não tem a segunda letra formada por M ou N, “Zizinho” – termo carinhoso que a mãe o chama e que contém um dígrafo consonantal – demonstrou domínio. Para finalizar, apresentei a definição de encontro consonantal, em que há dois fonemas consonantais produzidos, como em FLuminense, batata-FRita, eSCalada, paixões dele. Como viram, meus caros leitores, ser professora e avó são qualificações que levam qualquer avó coruja a iniciar uma aula até mesmo em dia de folga. Afinal, quem tem Dom tem tudo na vida!





