A Inteligência Artificial Generativa começa a redefinir a forma como pacientes e médicos tomam decisões sobre tratamentos para obesidade e diabetes no Brasil. Nesse cenário, a disputa no setor de canetas emagrecedoras já começa a migrar das prateleiras para o ambiente algorítmico. É o que mostra novo estudo da LLYC em conjunto com a Digital Solvers by LLYC, que analisou mais de 555 mil menções geradas por sistemas de IA no país.
Para Juan Carlos Gozzer, Sócio e CEO América Latina da LLYC, o fenômeno reflete uma mudança estrutural na dinâmica de influência no setor de saúde. “A jornada deixou de ser apenas baseada em busca para se tornar mediada por respostas. Isso significa que a forma como a informação é organizada pelas IAs passa a ter um papel decisivo na construção de percepção e escolha”, afirma.
O levantamento aponta que mais de 40 milhões de pessoas utilizam diariamente ferramentas de IA para questões relacionadas à saúde e, em alguns contextos, até 60% das interações já se encerram sem que o usuário acesse links externos. Na prática, o dado indica uma transição acelerada de um modelo centrado em mecanismos de busca para um ambiente em que as respostas são entregues prontas, sintetizadas por algoritmos.
Esse movimento ocorre em paralelo à expansão do mercado de terapias injetáveis para emagrecimento. Avaliado globalmente em US$ 53,5 bilhões em 2024, o setor pode atingir até US$ 268 bilhões até 2030. No Brasil, movimentou cerca de US$ 2 bilhões em 2025, representando 4% do varejo farmacêutico. Ao mesmo tempo, o país enfrenta o avanço da obesidade: a prevalência entre adultos cresceu 118% entre 2006 e 2024, chegando a 31% da população.
Para Luiz Marcelo Abate de Siqueira, Sócio e Diretor Comercial e de Marketing Digital da Digital Solvers by LLYC, isso impõe um novo desafio estratégico para a indústria. “Não basta mais ser encontrado. As empresas precisam garantir que seus conteúdos sejam compreendidos pelas IAs e associados corretamente às moléculas e evidências científicas. É uma mudança profunda na lógica de visibilidade e influência”, diz.
O estudo também identificou um descompasso entre as indicações oficiais dos medicamentos e a percepção refletida pelo mercado e pelas próprias IAs. Fármacos aprovados para diabetes tipo 2 aparecem frequentemente associados ao emagrecimento, em linha com a prática de prescrição fora da bula. Além disso, medicamentos sem registro no Brasil surgem com relevância nas respostas, evidenciando a influência de dados internacionais no treinamento dos modelos.
Nesse contexto, o estudo conclui que a disputa no setor deixa de ser apenas comercial e passa a incluir, de forma decisiva, a construção de relevância no ambiente algorítmico, onde a forma como a informação é estruturada pode determinar quais tratamentos e marcas serão considerados nas decisões de médicos e pacientes.





