Dois operadores-chave de uma **milícia que atua em Rio das Pedras, Catiri e Catonho**, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foram presos pela Polícia Civil. Luick Ferreira Cabral Pequeno e Rodrigo Marques Carbone são apontados pelas investigações como responsáveis por comandar a **cobrança de taxas extorsivas** de moradores e comerciantes, além de liderarem ações armadas para expandir o domínio do grupo.
A operação, deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), cumpriu mandados de prisão contra os suspeitos. Carbone foi capturado em Rio das Ostras, para onde fugiu para se esconder. Pequeno, por sua vez, já havia sido detido em outra ação policial e teve um novo mandado de prisão executado.
As investigações, que se iniciaram em setembro de 2025 após uma operação da Draco na Estrada do Cafundá, Taquara, revelaram uma estrutura criminosa organizada com forte capacidade operacional. A polícia conseguiu mapear a cadeia de comando do grupo através de análises de inteligência e dados telemáticos, identificando conversas sobre cobranças, divisão territorial e coordenação entre operadores financeiros e criminosos armados. A Draco segue em busca de outros integrantes para desarticular completamente a organização.
Papéis estratégicos na estrutura da milícia
Segundo a Draco, Luick Ferreira Cabral Pequeno e Rodrigo Marques Carbone ocupavam **posições estratégicas** na hierarquia da milícia. Eles atuavam como “puxadores de guerra”, termo utilizado para designar aqueles que coordenam confrontos armados, invasões de territórios rivais e a manutenção do controle em áreas sob influência da organização criminosa.
Carbone, em particular, integrava o braço armado do grupo e participava diretamente da **mobilização de criminosos para disputas territoriais**. Sua prisão em Rio das Ostras marca um duro golpe contra a capacidade de ação do grupo.
Histórico de prisões e alianças com o tráfico
O outro detido, Luick Ferreira Cabral Pequeno, já havia sido preso em abril deste ano. Na ocasião, ele foi detido na comunidade Santo Cristo, no Fonseca, em Niterói, portando uma arma de fogo e uma granada durante uma ofensiva contra grupos rivais. Naquele momento, ele estava acompanhado de criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), da Vila do João, no Complexo da Maré.
As apurações da Draco indicam que a milícia em questão **mantém uma aliança com integrantes do TCP**. Essa parceria visa ampliar o poder de fogo do grupo, consolidar o domínio sobre áreas já controladas e avançar sobre territórios que atualmente pertencem ao Comando Vermelho. Essa colaboração demonstra a complexidade e a fluidez das alianças no submundo do crime organizado no Rio de Janeiro.
Operação anterior e apreensões relevantes
A investigação que levou às prisões atuais teve seu pontapé inicial em setembro de 2025. Uma operação anterior da Draco na Estrada do Cafundá, na Taquara, resultou na prisão de integrantes da organização e na apreensão de uma quantia em dinheiro em espécie, celulares, uma pistola e um veículo clonado que havia sido roubado. Essa ação já demonstrava a atuação e a estrutura do grupo criminoso.
A análise de inteligência e dados telemáticos subsequentes permitiu à polícia mapear a cadeia de comando e identificar os papéis de Pequeno e Carbone. As conversas interceptadas revelaram detalhes sobre as **cobranças extorsivas**, a **divisão territorial** e a coordenação entre os operadores financeiros e os criminosos armados, evidenciando uma organização criminosa bem estruturada e com alta capacidade de execução.





