Quase cinco décadas após sua estreia, “Ópera do Malandro” volta aos palcos cariocas em uma nova montagem que promete emocionar o público e reafirmar a atualidade da obra de Chico Buarque. O espetáculo está em cartaz no Teatro Multiplan, no VillageMall, na Barra da Tijuca, em uma curta temporada que celebra um dos maiores marcos da dramaturgia e da música brasileira. A produção tem direção de Jorge Farjalla, direção musical de Gui Leal e estreia no Rio a partir de 6 de agosto.
Escrita por Chico Buarque em 1978, a peça é inspirada em A Ópera dos Mendigos, de John Gay, e em A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A adaptação transporta a história para a Lapa dos anos 1940, criando um retrato crítico da sociedade brasileira por meio de personagens que transitam entre o submundo, a política e o poder.
Música e teatro em perfeita sintonia
Mais do que um espetáculo teatral, “Ópera do Malandro” é uma celebração da obra musical de Chico Buarque. O público é conduzido por canções que se tornaram verdadeiros clássicos da MPB, como “Geni e o Zepelim”, “Folhetim”, “O Meu Amor”, “Pedaço de Mim”, “Teresinha” e “Homenagem ao Malandro”, músicas que ultrapassaram os palcos e ganharam vida própria na história da música brasileira.
A nova montagem preserva a essência do texto original, mas apresenta uma linguagem contemporânea, aproximando a narrativa das discussões atuais sobre desigualdade, corrupção, exploração, preconceito e relações de poder.
Elenco de destaque e nova leitura
A produção reúne um elenco de grandes nomes do teatro e da televisão. José Loreto interpreta o icônico Max Overseas Navalha, personagem que também será vivido em algumas sessões por Tiago Barbosa. O elenco conta ainda com Carol Costa, Totia Meireles, Amaury Lorenzo, Valéria Barcellos e Marya Bravo, entre outros artistas que dão vida aos personagens criados por Chico Buarque.
Sob a direção de Jorge Farjalla, o espetáculo investe em cenários impactantes, figurinos elaborados, coreografias marcantes e uma estética que valoriza a cultura popular brasileira sem perder a crítica política e social presente na obra original.
Uma obra cada vez mais atual
Mesmo escrita no final da década de 1970, “Ópera do Malandro” continua dialogando com o Brasil contemporâneo. Questões como corrupção, desigualdade social, abuso de poder e interesses econômicos permanecem presentes na sociedade, tornando a montagem atual e provocativa.
Além da força do texto, o espetáculo reafirma a importância de Chico Buarque como um dos maiores autores da cultura brasileira, capaz de unir poesia, música e crítica social em uma obra que continua emocionando diferentes gerações.
Com duração aproximada de duas horas e classificação indicativa de 14 anos, a montagem no Teatr Multiplan oferece ao público a oportunidade de revisitar um dos maiores clássicos do teatro nacional em uma produção que combina excelência artística, emoção e reflexão. Para os amantes da MPB, do teatro musical e da dramaturgia brasileira, trata-se de um espetáculo imperdível.





