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Unidades de saúde espalhadas pelo Rio registram cerca de 2,4 mil atendimentos por violência contra a mulher

Foto: Divulgação
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Levantamento do Viva Rio em sete unidades mostra que a violência física corresponde a 38% dos registros e que mulheres de 19 a 40 anos concentram mais da metade dos atendimentos

 No Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, os números são alarmantes: 2.461 atendimentos femininos relacionados a situações de violência foram registrados apenas em sete unidades de urgência e emergência sob gestão do Viva Rio no estado do Rio de Janeiro entre janeiro de 2024 e agosto de 2026.

A violência física é predominante, representando 38,15% dos registros, seguida de negligência e abandono, com 29,5% dos casos. Quanto à faixa etária, mais da metade dos atendimentos está concentrada entre jovens e adultas, de 19 a 40 anos, sendo 52,5% dos registros. Mas os números entre crianças e adolescentes de até 18 anos também são relevantes: representam 15,7% do total.

Além da violência física e da negligência, o levantamento também reúne registros de violência psicológica, sexual, interpessoal, por arma de fogo, por arma branca e de eventos envolvendo objeto cortante/penetrante.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, foi a unidade com maior número de registros de atendimentos a mulheres vítimas de violência, com 33,4% do total de casos. 

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Monique Sousa, enfermeira na UPA, comenta que, embora o número de casos seja alto, ainda há subnotificação. “A unidade está em um território muito instável em todos os aspectos, com muita violência urbana, policial e física. Acreditamos que a paciente se sinta insegura por conta disso”, comenta. Ainda assim, a profissional enfatiza que é oferecido acolhimento às vítimas. “Elas passam pela classificação de risco e são encaminhadas ao serviço social, que orienta quanto aos direitos legais. Muitas alegam não poder ir à delegacia fazer o boletim de ocorrência por diversos motivos, como dependência financeira dos parceiros ou pelo domínio do tráfico no território onde moram. Mas sempre orientamos que busquem o atendimento médico e vão até uma delegacia especializada”, reforça.

O Hospital Municipal Albert Schweitzer, na Zona Oeste do Rio, é a segunda unidade com mais registros, com 22,4% dos atendimentos no período analisado. Para fortalecer o cuidado às vítimas, o hospital inaugurou, em julho deste ano, a Sala Lilás, espaço preparado para oferecer acolhimento humanizado, escuta qualificada, privacidade e atendimento multiprofissional às mulheres em situação de violência.

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