Fruzaqla, à base de fruquintinibe, é destinado a adultos que já passaram por tratamentos anteriores e apresentou ganho significativo de sobrevida em estudos clínicos
Pacientes com câncer colorretal metastático passam a contar com uma nova opção terapêutica no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (31), o registro do Fruzaqla (fruquintinibe), medicamento indicado para adultos que já receberam diferentes tratamentos contra a doença.
A autorização representa uma alternativa especialmente para casos em que o tumor já se espalhou para outras partes do organismo e o paciente passou pelas principais linhas de tratamento disponíveis.
Para quem o medicamento é indicado
Segundo a Anvisa, a indicação contempla adultos com câncer colorretal metastático previamente tratados com quimioterapias à base de fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano, além de terapia anti-VEGF. Em pacientes com RAS selvagem, quando clinicamente apropriado, também deve ter ocorrido tratamento anterior com terapia anti-EGFR.
O câncer colorretal atinge o intestino grosso, principalmente o cólon e o reto. Quando classificado como metastático, significa que células cancerígenas se disseminaram para outros órgãos ou tecidos, tornando o tratamento mais complexo.
Como funciona o fruquintinibe
O fruquintinibe atua bloqueando especificamente os receptores VEGFR-1, VEGFR-2 e VEGFR-3. Eles participam da ação do VEGF, substância relacionada à formação de novos vasos sanguíneos, processo conhecido como angiogênese.
Os tumores dependem da circulação sanguínea para receber oxigênio e nutrientes necessários ao crescimento. Ao interferir nesse mecanismo, o medicamento dificulta a formação dos vasos que ajudam a alimentar o tumor, contribuindo para controlar a progressão da doença.
Estudos apontaram aumento da sobrevida
A decisão da Anvisa foi sustentada por evidências que mostraram benefício clínico para pacientes já submetidos a outros tratamentos. Houve melhora estatisticamente significativa tanto na sobrevida global quanto no período em que a doença permaneceu sem progressão, em comparação com placebo associado aos melhores cuidados de suporte.
No estudo internacional de fase 3 FRESCO-2, que avaliou 691 pacientes, a mediana de sobrevida global foi de 7,4 meses entre aqueles que receberam fruquintinibe, contra 4,8 meses no grupo placebo. A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 3,7 meses, ante 1,8 mês, respectivamente.
Os números representam medianas observadas no estudo e não uma previsão individual de quanto tempo cada paciente viverá. A resposta ao tratamento pode variar de acordo com as características da doença e as condições clínicas de cada pessoa.
Nova alternativa para casos avançados
O Fruzaqla já havia recebido aprovação nos Estados Unidos, em 2023, e na União Europeia, em 2024. Agora, o registro brasileiro amplia as possibilidades terapêuticas disponíveis para pacientes que enfrentam uma fase avançada da doença.
Como outros tratamentos contra o câncer, o fruquintinibe pode provocar efeitos adversos e precisa ser utilizado com acompanhamento médico. Entre as reações mais frequentes identificadas nos estudos estão hipertensão, alterações nas mãos e pés, presença de proteína na urina, diarreia, dor abdominal e fraqueza.
A aprovação não significa cura para o câncer colorretal metastático, mas acrescenta uma nova ferramenta para tentar controlar a doença e prolongar a sobrevida de pacientes que já esgotaram importantes alternativas terapêuticas.





