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Inadimplência atinge nível recorde e aumenta pressão sobre o crédito no Brasil

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Taxa do sistema financeiro chega a 4,9%, enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para manter as contas em dia

O avanço do endividamento e da inadimplência acende um sinal de alerta para a economia brasileira. Dados do Banco Central mostram que a taxa de inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a 4,9% em julho de 2026, o maior patamar da série histórica iniciada em 2011. O índice avançou 0,3 ponto percentual em apenas um mês e 0,9 ponto em 12 meses.

A situação é ainda mais preocupante entre as famílias. A inadimplência nas operações de pessoas físicas alcançou 5,8%, enquanto entre as empresas ficou em 3,3%. Já no crédito livre, modalidade em que bancos e clientes negociam diretamente as condições dos empréstimos, os atrasos chegaram a 6,4%. Entre as famílias, esse percentual atingiu 7,8%.

O problema também aparece no número de consumidores negativados. Levantamento da Serasa mostrou que o país já havia atingido 83,3 milhões de inadimplentes em abril, correspondendo a 50,81% da população adulta brasileira. Bancos e financeiras concentravam a maior parcela das dívidas.

O elevado comprometimento da renda ajuda a explicar o cenário. Em junho, o endividamento das famílias correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses, enquanto o comprometimento mensal da renda com o pagamento de dívidas chegou a 28,9%.

Com mais consumidores enfrentando dificuldades para honrar compromissos, as instituições financeiras tendem a reforçar os critérios de análise de risco. O cenário pode dificultar a obtenção de novos empréstimos e financiamentos, especialmente para quem já possui renda muito comprometida ou histórico de atrasos. As concessões de crédito recuaram 1,6% em julho, segundo dados do Banco Central.

O quadro preocupa porque pode formar um ciclo negativo: juros elevados aumentam o peso das dívidas, a inadimplência cresce, os bancos tornam o crédito mais seletivo e famílias e empresas reduzem consumo e investimentos. O desafio passa pela recuperação da capacidade financeira das famílias e pela oferta responsável de crédito, evitando que o endividamento se transforme em uma barreira ainda maior ao crescimento econômico.

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