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Saúde Viva: A Lei Universal das Prioridades

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Muitas vezes, acreditamos que o auge do amor é a abnegação total. Aprendemos que nos colocar em último lugar é um gesto de nobreza, mas a vida, em sua sabedoria silenciosa, costuma nos mostrar o contrário. Existe uma Lei Universal da ordem que, quando negligenciada, cobra um preço alto em nossa saúde física e emocional.

A hierarquia correta é simples, embora desafiadora: primeiro, Deus. Independente do seu credo, a espiritualidade e a conexão com um propósito maior são o que nos sustenta. É a base que dá sentido à jornada.

Em segundo lugar, vem você. Sim, você mesmo. Antes do filho, do cônjuge ou dos pais. Não se trata de egoísmo, mas de sobrevivência. Para cuidar de alguém sem se tornar uma vítima ou um algoz, você precisa estar com sua reserva preenchida. Quem doa o que não tem acaba gerando uma conta de frustração e culpa que ninguém consegue pagar.

Só então, em terceiro, vêm os outros. Somos seres sociáveis e o cuidado com o próximo — seja na família ou no trabalho — é essencial. Mas esse cuidado só é eficiente e leve quando transborda de alguém que já está inteiro.

Você observou que, depois que você cuida de você, existe uma imensidão de pessoas para você cuidar? Seja com um bom dia para o porteiro, seja levando as crianças para a escola, apoiando o marido — e essa lista não para ao longo do dia. Mas repare que você também vai ser cuidada se respeitar essa ordem: as crianças vão te abraçar, o porteiro vai facilitar a entrega da sua encomenda, o seu cônjuge vai te dar um beijo e te elogiar, a sua amiga vai te chamar para um evento ou um café.

Porém, quando você pula a ordem, a coisa muda. Você não é grata por acordar, por estar onde está, por ter o que tem. Você chega ao segundo degrau capenga: não se admira no espelho, não tem orgulho de si mesmo, não escolhe bem os alimentos do desjejum — e já começa o dia com deficiências de nutrientes do corpo e da alma.

A terceira etapa vai se traduzir em: você é a pessoa que não entende os limites do que deve doar e do que deve receber. Ora você doa demais e cobra quando o outro não é recíproco, ora você não tem empatia com as pessoas à sua volta — e isso prejudica em muito suas relações interpessoais.

Por tudo isso que eu expliquei, minha sugestão é: acorde, agradeça por estar vivo. Vá para o seu banheiro, faça sua higiene, admire-se no espelho e cuide da sua pele. Observe sua agenda do dia e coloque alarmes nas suas prioridades. Só depois vá atender as necessidades das demais pessoas do seu ciclo.

Quando invertemos essa ordem, o cuidado vira peso. A exaustão toma o lugar do afeto e a vitimização aparece como um grito de socorro da alma. Respeitar essa lei natural é a única forma de sustentar relações saudáveis e duradouras.

Convido você, hoje, a se reconectar com essa ordem. Olhe para si com a mesma compaixão que dedica ao mundo. Estar bem não é um luxo, é a sua primeira responsabilidade.

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