Desde os anos iniciais, aprendemos, por exemplo, que “rubro-negro e flamenguista” são termos que se enquadram na categoria dos sinônimos. Assim como “automóvel, carro e veículo”; “cão, cachorro, pet”. Segundo a gramática normativa, sinônimos são palavras que possuem significados iguais ou muito semelhantes dentro de um mesmo contexto. As autoras Koch e Elias (2014) declaram que sinônimos são de amplo emprego quando se pretende substituir um termo no intuito de fazer a retomada dele para proporcionar a progressão textual. Nas aulas que ministro, alguns estudantes fazem a seguinte pergunta: “Qual a finalidade dos sinônimos, tia?”. A eles respondo com alguns textos. Ei-los: 1) Pretendo comprar um carro, mas tudo dependerá do valor desse veículo; 2) Sempre quis ter um cachorro; todavia, somente na idade adulta, pude realizar o sonho de ter meu cãozinho! Com isso, o alunado infere que os sinônimos são úteis para proporcionar o desenvolvimento das ideias. Reforço com duas versões, recusadas pela repetição existente: 1) Pretendo comprar um carro, mas tudo dependerá do valor desse carro; 2) Sempre quis ter um cachorro; todavia, somente na idade adulta, pude realizar o sonho de ter meu cachorro!
Nesta semana, infelizmente me deparei com algo ligado à questão dos sinônimos. Resumidamente a situação é esta: sou professora de língua portuguesa desde 2002 na prefeitura da cidade do Rio de Janeiro sem nunca ter assumido qualquer outra função! Fundamentando-me na lei da aposentadoria especial, obedeço a todos os critérios que me permitem obter a tão necessária aposentadoria! Vale a pena esclarecer que, embora eu AME ministrar aulas, atualmente lecionar é uma hercúlea, estressante e perigosa profissão, que vem levando colegas ao uso contínuo de medicamentos controlados para suportar o insuportável.
Voltando-me à situação, ressalto que o único empecilho para eu me aposentar é a confusão entre “carreira” e “cargo”. É difícil aceitar que cargo e carreira, mesmo não sendo sinônimos, podem me prejudicar tanto. Válido é explicar que, na prefeitura, você presta concurso para um cargo específico do magistério, e esse “cargo” define o que você faz e qual é o seu vínculo estatutário. Já “carreira” dita as formas de progressão por tempo de serviço (como os triênios) e por titulação/qualificação acadêmica (evoluindo para níveis de especialização, mestrado ou doutorado), o que impacta diretamente os vencimentos e o teto remuneratório da sua trajetória profissional. Estando claras as diferenças, surge uma indagação: se há um plano de carreiras, em que me enquadro com o título de doutorado, por que eu e outros professores de 40 horas não recebemos, tendo essa titulação? Como querem a mim exigir um requisito se não me pagam por ele? Por que insistem em afirmar que mudei de “cargo”, em 2021, porque fiz novo concurso se exerço as mesmas atividades desde 2002? Será que, sabedores da categoria dos sinônimos, os que elaboram as leis na prefeitura alteraram, de propósito, a nomenclatura do cargo de “professor 1″ para “Professor do Ensino Fundamental (PEF)”, a fim de prejudicar os educadores de 40 horas? Essa vil atitude é um total desrespeito a nós, profissionais que acreditamos em uma tabela de valores que só ficou no papel! Em suma, a sentença é “fique dez anos a mais, e não reclame por não receber por isso!” Sinto-me enganada e ludibriada por cobrarem-me um tempo de 10 anos para obter a aposentadoria sem pagar pela carreira, que é usada como entrave à minha carta de alforria! Que patifaria!





