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Por que uma mulher ambiciosa ainda incomoda?

Foto: Reprodução
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Discussões da chamada femosfera mostram mulheres questionando antigos padrões de relacionamento e assumindo, sem culpa, o que esperam de um parceiro

“Quando um homem é ambicioso, ele é visto como determinado. Quando uma mulher é ambiciosa, muitas vezes tentam colocar outro nome nisso.” A fala de Virginia Fonseca, que voltou a circular nas redes sociais, toca em uma questão que sempre volta à tona: por que a ambição continua sendo interpretada de maneira diferente quando pertence a uma mulher? E, por que ainda existe desconforto quando ela deixa claro que também espera que essa ambição esteja presente no homem que escolhe para se relacionar?

A femosfera, movimento feminino em que mulheres priorizam critérios além do romance e buscam homens de ‘alto valor’, transformou essas questões em conversas públicas. Entre os conceitos que ganharam espaço está a hipergamia, frequentemente utilizada para explicar a preferência por parceiros provedores, financeiramente estáveis, emocionalmente maduros, respeitosos, leais, protetores e generosos. O termo passou a nomear uma preferência que muitas mulheres já reconhecem em suas próprias relações.

Segundo Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, essa escolha representa uma revisão de expectativas, e não um retorno a papéis tradicionais. “Durante décadas as pessoas buscaram relacionamentos quase exclusivamente por afinidade emocional. Hoje elas também avaliam compatibilidade financeira, estilo de vida, objetivos pessoais e visão de futuro. Isso não significa que o amor perdeu importância. Significa que as pessoas passaram a fazer escolhas mais conscientes”.

Mas uma mulher pode ser independente e, ainda assim, desejar um homem provedor? Pode construir a própria carreira e preferir um parceiro financeiramente mais estruturado? Pode querer amor, atração e companhia, mas também considerar estabilidade e estilo de vida na hora de escolher? Para Bittencourt, essas coisas não são necessariamente contraditórias. “As mulheres merecem o melhor que a vida tem para oferecer, e isso engloba sim um homem bem-sucedido, que a respeite, seja cavalheiro e amoroso. Aceitar menos do que isso pode trazer estresses e problemas psicológicos, minando a autoestima e felicidade dela”.

Da vergonha de pedir ao direito de escolher

Durante muito tempo, falar abertamente sobre dinheiro dentro de um relacionamento podia ser interpretado como interesse, oportunismo ou falta de romantismo. Hoje, as mulheres passaram a questionar: se estabilidade financeira influencia tantas decisões da vida adulta, por que deveria ser um assunto proibido na escolha de um parceiro? A discussão, portanto, não é apenas sobre dinheiro. É sobre o direito de uma mulher definir seus próprios critérios de escolha sem precisar justificá-los moralmente.

Para Caio, se uma mulher ambiciosa não deveria ser diminuída por querer crescer profissionalmente, também não deveria ser automaticamente julgada por desejar um parceiro que esteja em um patamar financeiro compatível, ou superior, ao que ela considera ideal. “A maioria das Sugar Babies trabalha, estuda, empreende e tem objetivos claros de vida. Elas buscam estar ao lado de alguém com a mesma mentalidade de crescimento, que entenda suas ambições e esteja disposto a construir uma relação baseada em afinidade, maturidade e apoio mútuo”, finaliza.

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