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Sonhos e inconsciente são parte de evento literário para surdos

Foto: Divulgação/Adriane Santi
Foto: Divulgação/Adriane Santi

Por Vinicius Sérgio Zepeda

“Nossas reais capacidades estão nas nossas vivências e no que carregamos no dia-a-dia. E tudo é capaz de tocar os outros.” A afirmação foi dada pelo escritor Álvaro Roux Rosa (pseudônimo de Bernardo Marinho Sampaio), 23 anos, durante evento realizado no Instituto Nacional de Surdos (INES) na noite de 18 de setembro. Na data, ele reuniu-se com alunos da disciplina de Literatura para debater com os alunos sobre o conto “Cachorro”, de seu livro “Devaneios de um Homem Louco”.

O conto fala sobre um cachorro que latia a noite incomodando a vizinhança. Todavia, quando  ele some, buscam seu paradeiro e o encontram cantando como gente. “A história é uma subversão que deixei mais simples. Mas há as fábulas, humanizam animais”, explicou o autor. 

O livro foi escrito quando Bernardo tinha dezoito anos e estava no primeiro período da Faculdade de Psicologia como uma espécie de “pegadinha” com seu pai. “Eu apresentei uns manuscritos e perguntei sobre o autor, meu pai pesquisou e nada, foi quando eu contei que eu havia escrito e ele se surpreendeu”, afirmou aos risos.

“Rodolfo (nome dado ao cachorro na história) me ajudou muito a escrever. Esse texto ainda elevou muito na minha autoestima”, afirmou a aluna Amanda. Já seu colega Fábio, complementou destacando o interesse e a alegria que o texto lhe proporcionou. Ele ainda criou em LIBRAS o sinal do personagem: como se estivesse penteando um bigode de cima para baixo.

“Para esse encontro, adaptamos o texto em algumas aulas. A Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) é a primeira língua dos surdos, antes do Português. E eles têm uma percepção muito mais visual das coisas que os não-surdos”, explicou Jacqueline Cosendey, professora de Literatura do INES. 

Ao final do evento o autor doou dois livros para a Biblioteca do INES, recebeu uma caricatura sua de presente do aluno Vladimir e ainda viu expostos alguns quadrinhos e desenhos sobre a história. Emocionado, expressou sua felicidade. “Eu não tenho palavras para expressar gratidão pelo espaço que me foi dado. estarei sempre torcendo por vocês”, concluiu.

O evento, que contou com a participação de um intérprete de LIBRAS, foi parte de uma série de iniciativas do projeto Arte Inclusiva, que promete, com recursos da Lei do ICMS, utilizar o livro como material paradidático no INES e para o Instituto Benjamin Constant (IBC), este voltado para deficientes visuais.

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