Profissional é investigada por mensagens enviadas em grupo de WhatsApp antes das eleições; ginecologista nega discriminação no atendimento e afirma que nenhuma paciente foi prejudicada
Uma médica ginecologista e obstetra foi demitida da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, após ser investigada por supostamente orientar outros profissionais de saúde a não conceder alta hospitalar a pacientes identificadas como eleitoras ou simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT). O desligamento de Marcella Segato de Sousa Melo ocorreu na terça-feira (6), conforme informou a unidade hospitalar.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens enviadas pela médica em um grupo privado de WhatsApp, formado por profissionais da maternidade. O conteúdo foi publicado no dia 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, realizado no domingo (4).
Mensagens provocaram repercussão
Nas conversas divulgadas pela TV Anhanguera, a médica teria sugerido que pacientes consideradas simpatizantes do PT permanecessem internadas durante o fim de semana eleitoral.
“Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”, escreveu Marcella, segundo as imagens divulgadas.
A mensagem levantou questionamentos sobre uma possível tentativa de interferir no direito ao voto das pacientes, uma vez que a permanência hospitalar poderia dificultar o comparecimento às urnas.
O episódio também provocou discussões sobre ética médica, discriminação política e a responsabilidade dos profissionais de saúde em garantir atendimento igualitário, independentemente das convicções pessoais dos pacientes.
Médica nega prejuízo às pacientes
Em nota, Marcella Segato de Sousa Melo afirmou que a mensagem enviada ao grupo privado não resultou em qualquer conduta inadequada dentro da maternidade.
Segundo a profissional, nenhuma paciente teve sua alta hospitalar atrasada ou negada em razão de preferência política. Ela garantiu que todas as mulheres internadas foram avaliadas e liberadas exclusivamente com base em critérios clínicos.
Marcella também destacou sua trajetória profissional, afirmando que, desde 2017, realizou milhares de partos e prestou atendimento a mulheres de diferentes origens, condições sociais e posicionamentos políticos.
A médica sustenta que não houve discriminação efetiva no atendimento e rejeita a interpretação de que suas mensagens tenham provocado prejuízo às pacientes.
Hospital repudia discriminação política
A direção da Maternidade Célia Câmara esclareceu que as mensagens representam manifestações pessoais da profissional e não refletem o posicionamento da instituição.
O hospital reafirmou que decisões relacionadas à internação, permanência e alta de pacientes devem seguir exclusivamente critérios médicos, técnicos e de segurança, sem qualquer influência de preferências políticas, religiosas ou ideológicas.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar os fatos e reforçou junto às equipes a necessidade de garantir atendimento ético, humanizado e igualitário aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Caso é alvo de investigação
O episódio também chegou ao conhecimento do Ministério Público Eleitoral. Uma denúncia apresentada contra a médica levantou suspeitas de possível interferência no exercício do direito ao voto.
O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) informou que denúncias envolvendo condutas éticas de profissionais são apuradas sob sigilo, conforme as normas aplicáveis.
Até o momento, não há confirmação de que alguma paciente tenha permanecido internada por motivação política.
O caso reacende o debate sobre os limites entre manifestações políticas pessoais e responsabilidades profissionais, especialmente na área da saúde, em que o respeito à dignidade humana e a igualdade no atendimento são princípios fundamentais.





