Jornal DR1

Afeto e mimos em excesso podem gerar dependência emocional nos pets

Reprodução_Magnific
Reprodução_Magnific

Afeto pelo cão deve respeitar as necessidades da espécie. Impor limites e evitar a superproteção impede o estresse e a dependência

É comum encontrar tutores que fazem de tudo para agradar seus animais de estimação. Roupinhas, colo constante, festas de aniversário e cuidados em excesso podem parecer apenas demonstrações de carinho. No entanto, quando esses comportamentos se tornam frequentes e impedem o cão de desenvolver autonomia, podem provocar estresse, insegurança e até dependência emocional.

De acordo com a psicoterapeuta Renata Roma, amar um animal também significa permitir que ele expresse sua própria natureza. Isso inclui respeitar seus limites, necessidades e comportamentos naturais. O problema não está em tratar o cachorro como parte da família, mas em colocar a vontade do tutor acima do conforto e do bem-estar do animal.

Um dos principais problemas ocorre quando o responsável tenta evitar qualquer situação que possa causar frustração ao cão. Manter o pet constantemente no colo ou sempre ao lado da família pode dificultar o desenvolvimento da capacidade de ficar sozinho.

O especialista em comportamento animal Cleber Santos explica que, quando qualquer desconforto é interpretado como sofrimento e o tutor impede o cão de enfrentar pequenas frustrações, o animal pode aprender que não consegue lidar com a ausência da família.

Dependência pode afetar a rotina

Uma relação próxima entre tutor e animal não significa que o cão precise estar acompanhado o tempo inteiro. Quando o pet não consegue permanecer em seu próprio espaço ou relaxar sozinho sem apresentar sinais de sofrimento, a relação pode deixar de ser equilibrada.

Segundo Cleber Santos, fundador da Comport Pet, se o cachorro só consegue descansar quando está grudado no tutor, esse comportamento pode indicar dependência emocional, e não necessariamente um vínculo saudável.

A dificuldade de permanecer sozinho também pode afetar a rotina do animal e aumentar sua insegurança. Por isso, é importante que o tutor permita momentos de independência e respeite o espaço do cão.

Carinho também precisa de equilíbrio

Ter um animal de estimação como integrante da família é uma relação afetiva legítima. O cuidado, o carinho e a proximidade fazem parte dessa convivência. Porém, amar também significa compreender que o cão possui necessidades próprias.

Por isso, os tutores devem se perguntar se estão respeitando os limites do animal ou projetando nele desejos e necessidades humanas. Permitir que o pet seja um animal, desenvolva autonomia e tenha seu próprio espaço também é uma forma de demonstrar carinho.

O equilíbrio entre afeto e liberdade pode contribuir para uma convivência mais saudável, evitando que o excesso de proteção transforme o cuidado em uma fonte de insegurança para o próprio animal.

Confira também

Nosso canal