Meus caros leitores, nesta semana, dei voz à Chintia Bourget, uma grande amiga por quem nutro amor e um carinho enorme! Este texto, escrito por ela, fala de um dos temas que mais amo: o amor! Tenho certeza de que muitas mães se identificaram com as palavras de Chintia.
Existem momentos em que a vida nos coloca diante de desafios tão dolorosos que parece que não teremos forças para atravessá-los.
Os pequenos milagres da vida…
Certo dia, sentada, com o rosto banhado em lágrimas, apertando o peito e sem saber o que fazer diante de tanta dor, observei minha filha brincando com suas bonecas. Ela conversava com elas. Fazia perguntas, oferecia comidinha, perguntava se estavam com fome, acariciava seus cabelos e inventava historinhas. Falava com aquelas bonecas exatamente como eu costumo falar com ela. Com o mesmo carinho, a mesma delicadeza, a mesma preocupação em acolher, cuidar e fazer com que se sentissem amadas.
Naquele instante, eu enxerguei um pequeno milagre. Vi minha filha reproduzindo, em suas brincadeiras, os nove anos de amor, cuidado, afeto e dedicação que recebeu de mim. E algo dentro do meu peito, tão apertado pela dor, começou a respirar novamente.
O sofrimento não desapareceu. Os problemas continuavam ali, e eu ainda precisaria encontrar forças para enfrentá-los. Mas a intensidade daquela angústia diminuiu. Porque, diante dos meus olhos, estava a lembrança mais concreta de que nem tudo na minha vida havia sido perdido, de que nem tudo estivera fora do lugar. O trabalho mais importante da minha vida estava ali, na minha frente: o amor que construí, o vínculo que cultivei, a segurança afetiva que ofereci à minha filha. Tudo aquilo que, dia após dia, plantei sem saber exatamente como floresceria. E estava florescendo.
Naquela brincadeira tão simples em que minha pequena estava inserida, compreendi que, apesar das minhas dores, eu estava conseguindo realizar uma das tarefas mais bonitas e importantes que a vida me confiou: criar uma criança que sabe amar porque é amada. Talvez os pequenos milagres da vida sejam exatamente isso. Não são necessariamente acontecimentos extraordinários que mudam tudo de uma hora para outra. Às vezes, são cenas tão cotidianas que quase passam despercebidas, mas que nos devolvem o sentido das coisas quando estamos prestes a perdê-lo. Naquele dia, minha filha não sabia que ela estava cuidando de mim. Ela apenas brincava com suas bonecas. Mas, sem saber, me lembrou de quem eu sou, do que construí e do que realmente importa. O mundo pode até nos ferir profundamente, mas há coisas que construímos com amor que continuam florescendo, mesmo nos períodos mais difíceis da nossa existência.
E, naquele instante, entre lágrimas e bonecas, eu entendi que o trabalho mais importante que eu fiz e que continuo fazendo, apesar de todas as minhas imperfeições, é um sucesso; porque o amor que oferecemos não desaparece nas dificuldades da vida. Às vezes, ele volta para nós em forma de um pequeno milagre.
Cinthia Bourget





