Facção é investigada por destruir cabos, impedir reparos e obrigar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pelo grupo. PF prendeu 20.
Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, enfrentam restrições para escolher como acessar a internet. Segundo as investigações da Polícia Federal que culminaram na Operação Backbone, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares para impedir o funcionamento dos serviços e forçar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção.
As empresas que recebem autorização para atuar na região pagam mensalmente uma espécie de tarifa ao grupo criminoso. O esquema, além de limitar a concorrência, se tornou uma fonte expressiva de receita para a organização.
De acordo com a PF, registros financeiros da facção indicam que, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet representou mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
Pelo menos 20 pessoas foram presas pela Polícia Federal na Operação Backbone nesta segunda-feira (19), entre elas estão a mãe e um irmão do rapper Oruam, filho do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP.
O impacto vai além do acesso à rede. Em entrevista, um morador que não será identificado por segurança relatou sensação de abandono e humilhação diante da falta de serviços básicos.





