Humorista e atriz fluminense, ela marcou gerações com personagens inesquecíveis como Dona Charanga e abriu caminhos para artistas negros na televisão brasileira
Dona de um talento cômico que atravessou gerações, Marina Miranda é um dos nomes mais queridos da história do humor brasileiro. Nascida em Paraíba do Sul, no interior do Rio de Janeiro, em 30 de setembro de 1930, ela construiu uma trajetória de mais de cinco décadas nos palcos, no cinema e, sobretudo, na televisão, onde se tornou presença garantida nos grandes programas de humor do país.
Sua carreira começou ainda nos anos 1950, e logo ganhou força ao lado de Chico Anysio, com quem deu vida a tipos inesquecíveis como Dona Mandala e Dona Charanga — esta última, marca registrada de “Escolinha do Professor Raimundo” e do “Zorra Total”. Também imortalizou a personagem Crioula Difícil e formou, por anos, uma das duplas mais engraçadas da TV com o comediante Tião Macalé. A desenvoltura e o carisma lhe renderam apelidos afetuosos como “Grande Otelo de saias” e “Josephine Baker brasileira”.
Além do humor, Marina transitou por novelas e minisséries de peso, com participações em produções como “Dona Xepa”, “Dancin’ Days”, “Os Trapalhões”, “Tenda dos Milagres”, “O Dono do Mundo” e “Prova de Amor”. No cinema, estreou em 1971, em filmes como “Os Caras de Pau”. Versátil, levava a mesma entrega a papéis cômicos e dramáticos, sempre com a autenticidade de quem fazia da arte uma extensão da própria vida.
Como atriz negra em um meio marcado por barreiras, Marina também representou resistência e pioneirismo. Esse legado foi reconhecido em 2010, quando recebeu o Troféu Raça Negra por sua contribuição à cultura brasileira — a primeira premiação de sua carreira, segundo ela própria emocionada confessou. Em 2019, foi agraciada com a Medalha Chiquinha Gonzaga, concedida pela Câmara Municipal do Rio a mulheres que se destacam na defesa de causas humanitárias, artísticas e culturais.
Os últimos anos da artista, porém, foram marcados por dificuldades financeiras e de saúde. Marina enfrentou o mal de Alzheimer e faleceu no Rio de Janeiro em 20 de setembro de 2021, dez dias antes de completar 91 anos. Apesar das adversidades, deixou um legado luminoso: o de uma mulher que fez o Brasil rir por décadas e abriu portas para que outras vozes negras ocupassem o palco. Seu riso, generoso e inconfundível, permanece vivo na memória afetiva do público.





