Professora da UFRGS e uma das formuladoras do Programa Mais Educação, ela transformou a educação integral em bandeira por mais tempo, mais espaço e mais direitos para os estudantes
Poucas trajetórias ajudam a entender tão bem a disputa pelo futuro da escola pública no Brasil quanto a de Jaqueline Moll. Educadora e pesquisadora gaúcha, ela construiu um nome a partir de uma ideia simples e radical ao mesmo tempo: a de que aprender não cabe apenas entre quatro paredes e que a cidade inteira pode — e deve — ser território de formação.
Nascida em Jacutinga (RS), Moll graduou-se em Pedagogia pelo Centro de Ensino Superior de Erechim, em 1986, e seguiu uma formação marcada pela educação popular e pela alfabetização. Especializou-se em Alfabetização (PUC-RS) e em Educação Popular (Unisinos), fez mestrado na PUC-RS e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1998, com estágio na Universidade de Barcelona. Hoje é professora titular da Faculdade de Educação da UFRGS, instituição à qual dedica parte central de sua carreira acadêmica.
Foi, porém, na gestão pública que seu pensamento ganhou escala nacional. Entre 2007 e 2013, atuou no Ministério da Educação como Diretora de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica, onde se tornou uma das formuladoras do Programa Mais Educação. A política pública, criada para ampliar a jornada escolar e reorganizar o currículo, levou mais tempo de permanência e novas experiências pedagógicas a milhares de escolas pelo país.
No centro de sua produção está o conceito de “Escola Integrada”, que propõe a articulação entre a escola e outros espaços urbanos — centros culturais, praças, museus e equipamentos públicos — como caminho para uma formação mais ampla. Autora e organizadora de obras como Alfabetização Possível e Caminhos da Educação Integral no Brasil, Moll pesquisa ainda educação de jovens e adultos, fracasso escolar e as relações entre escola e cidade.
Defensora da educação como instrumento de transformação social, ela atua em debates sobre justiça educacional, protagonismo estudantil e cidades educadoras. Em 2023, recebeu o título de Cidadã de Porto Alegre, reconhecimento a uma trajetória que une teoria e prática em defesa de uma escola pública mais democrática.





