Jornal DR1

Ars Gratia Artis: Elegias

Friedrich-Holderlin-1068x679-1-696x442

Pão e vinho

(…)

Mas nós, amigo, chegamos demasiado tarde. Certo é que os deuses vivem,

Mas acima de nós, lá em cima, noutro mundo.

Aí o seu domínio é infinito e parecem não se importar

Se estamos vivos, tanto nos querem poupar.

Pois nem sempre pode um frágil vaso contê-los,

O homem apenas algum tempo suporta a plenitude divina.

Depois toda a nossa vida é sonhar com eles. Mas os erros,

Tal como o sono, ajudam, e a necessidade e a noite fortalecem,

Até que haja suficientes heróis, criados em berço de bronze,

De coração corajoso, como dantes, semelhantes aos Celestiais.

Depois eles chegam, trovejantes. Entretanto penso por vezes

Que é melhor dormir do que estar assim sem companheiros,

Nem sei perseverar assim, nem que fazer entretanto,

Nem que dizer, pois para que servem poetas em tempo de indigência?

Mas eles são, dizes, como sacerdotes santos do deus do vinho

Que em noite santa vagueavam de terra em terra.

(…)

Friedrich Hölderlin. “Elegias”. [tradução Maria Teresa Dias Furtado]. Porto: Assírio e Alvim, 1992

Confira também

Nosso canal

Error 403 The request cannot be completed because you have exceeded your quota. : quotaExceeded