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Banco Central mostra baixa adesão ao Pix por aproximação depois de um ano

Foto: Divulgação
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O Pix por aproximação completa um ano de funcionamento com baixa adesão dos usuários, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil. Em janeiro, a modalidade representou apenas 0,01% do total de transações realizadas pelo sistema e 0,02% do valor movimentado no período.

De um total de 6,33 bilhões de transferências via Pix no mês passado, apenas 1,057 milhão foram feitas por aproximação do celular em maquininhas de cartão ou em telas de computador. No volume financeiro, a modalidade movimentou R$ 568,73 milhões, frente aos R$ 2,69 trilhões registrados no sistema como um todo.

Especialistas apontam que fatores como limites de segurança e restrições operacionais podem influenciar na adesão mais lenta. Gustavo Lino, diretor-executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), afirma que o potencial da ferramenta ainda é significativo.

“O potencial é grande, sobretudo quando a oferta amadurece e passa a suportar mais casos de uso, inclusive no ambiente corporativo, mantendo a confiança como fundamento”, afirmou.

Segundo ele, a tendência é de crescimento à medida que empresas e estabelecimentos ampliem a oferta da modalidade, principalmente em locais com grande fluxo de pessoas e filas extensas.

“Um ano depois, o Pix por aproximação reforça a direção de evolução do Pix para estar mais presente em pagamentos de alta recorrência e no ponto de venda”, acrescentou.

Apesar da participação reduzida, os números mostram evolução desde o lançamento. Em julho de 2025, cinco meses após a estreia, foram registradas 35,3 mil transações por aproximação. Em novembro, o volume superou, pela primeira vez, 1 milhão de operações.

Os valores também cresceram de forma acelerada. De R$ 95,1 mil em julho do ano passado, o montante saltou para R$ 1,103 milhão em agosto, alcançou R$ 24,205 milhões em novembro e atingiu R$ 133,151 milhões em dezembro.

Para reduzir riscos de golpes com o uso indevido de maquininhas, o Banco Central fixou limite padrão de R$ 500 por transação quando o pagamento é feito via carteiras digitais, como o Google Pay. Já nas operações realizadas diretamente pelo aplicativo do banco, o correntista pode ajustar os limites por transação ou por dia.

O diferencial da modalidade está na rapidez. Diferentemente do Pix tradicional, que exige a digitação de chave ou a leitura de QR Code, o usuário precisa apenas aproximar o celular, com a função NFC ativada, da maquininha ou da tela do computador.

No entanto, consumidores devem ficar atentos quando a operação envolver crédito. Algumas instituições oferecem a possibilidade de pagar via Pix por aproximação utilizando o cartão de crédito, o que pode implicar a cobrança de juros.

Embora ainda represente uma fração mínima do sistema, a modalidade segue em expansão e pode ganhar espaço à medida que o público se familiarize com a tecnologia e aumente a confiança no modelo. A evolução dos próximos meses será decisiva para definir se o Pix por aproximação se tornará parte do dia a dia dos brasileiros.

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