O governador Cláudio Castro pôs fim às especulações sobre uma possível saída antecipada do Palácio Guanabara, comunicando formalmente ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que permanecerá no cargo até 5 de abril de 2026. A decisão afasta definitivamente os rumores de que deixaria o governo após o Carnaval carioca, mantendo-se à frente do Executivo estadual até o prazo-limite estabelecido pela legislação eleitoral para candidatos que pretendem disputar outros cargos.
A informação foi transmitida diretamente ao desembargador Ricardo Couto de Castro, primeiro na linha sucessória constitucional, que solicitou esclarecimentos para se preparar adequadamente para uma eventual interinidade – responsabilidade que, segundo fontes próximas, jamais almejou assumir.
Cenário político em transformação
A permanência de Castro até abril ocorre em um contexto de intensa movimentação política no estado. O Partido dos Trabalhadores tem demonstrado crescente interesse na candidatura de André Ceciliano ao Senado Federal, cenário que adiciona complexidade às articulações eleitorais fluminenses para 2026.
Em maio de 2025, o próprio Castro havia sinalizado que a possibilidade de disputar uma vaga no Senado era “real”, indicando que a decisão final seria tomada entre fevereiro e março de 2026, baseada em pesquisas eleitorais e na conjuntura política do momento.
Sucessão constitucional e seus desdobramentos
Caso Castro confirme sua saída em abril para se candidatar ao Senado, o desembargador Ricardo Couto de Castro assumirá interinamente o governo estadual. Diferentemente do que imagina grande parte da classe política, essa interinidade pode se estender por até dois meses, período significativamente superior ao inicialmente previsto.
O artigo 142 da Constituição Estadual estabelece que o governador interino deve convocar eleições em até 30 dias. Entretanto, os prazos necessários para registro de candidaturas, somados às possibilidades de contestações e recursos judiciais, podem prolongar sua permanência no Palácio Guanabara por período mais extenso.
Perfil do possível sucessor interino
Ricardo Couto de Castro, que assumiu a presidência do Tribunal de Justiça em fevereiro de 2025, possui uma sólida carreira de 32 anos na magistratura. Conhecido por seu perfil discreto e técnico, o desembargador deverá exercer a interinidade sem buscar protagonismo público, mas mantendo rigor e atenção nas decisões governamentais.
Segundo informações obtidas junto ao Palácio da Justiça, Couto planeja formar um grupo reduzido de assessores, composto por três ou quatro nomes de sua inteira confiança, para auxiliá-lo na complexa missão de conduzir o governo estadual durante o período de transição.
Responsabilidade institucional em foco
A postura de Castro em comunicar formalmente sua permanência até o prazo legal demonstra o zelo pelas responsabilidades institucionais. A medida proporciona segurança jurídica e permite o adequado planejamento da transição governamental, evitando instabilidades administrativas em um momento crucial para o estado.
Impactos na governabilidade
A definição do cronograma de saída oferece previsibilidade para a continuidade de políticas públicas e projetos em andamento. Durante os próximos meses, a gestão Castro deverá focar na consolidação de programas estratégicos e na preparação de uma transição ordenada para o período eleitoral.
Articulações partidárias
O interesse petista na candidatura de André Ceciliano ao Senado reflete a estratégia do partido de ampliar sua representação no Congresso Nacional. Ceciliano, que possui experiência legislativa como ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), representa uma opção consolidada para a sigla na disputa senatorial.
Perspectivas eleitorais
A permanência de Castro até abril mantém em aberto suas opções políticas para 2026. Além da possibilidade de disputar o Senado, o governador preserva alternativas estratégicas que serão definidas com base no cenário político e eleitoral dos próximos meses.
A decisão também impacta diretamente o calendário eleitoral fluminense, uma vez que a eventual candidatura de Castro ao Senado pode influenciar outras composições partidárias e alianças políticas no estado.
Estabilidade institucional
A comunicação clara sobre os prazos de permanência no cargo reforça a estabilidade institucional do governo estadual. Em um momento de importantes desafios econômicos e sociais, a previsibilidade na condução do Executivo representa elemento fundamental para a continuidade das políticas públicas.
O episódio demonstra ainda a importância do diálogo institucional entre os Poderes, evidenciado pela comunicação direta entre o governador e o presidente do Tribunal de Justiça sobre questões relacionadas à sucessão constitucional.



