A sensibilidade dos médicos, dos técnicos de enfermagem, dos ASG que me assistiram, nos dias em que me encontrei no leito de um hospital, impulsionou-me a redigir esta crônica linguística. Sabem por quê, meus caros leitores? Porque eu, que normalmente sou agente de minhas ações, fiquei sob os cuidados de uma equipe de excelência, assistindo na suíte 255 de um hospital de referência, que fica em frente à Quinta da Boa Vista. Minha rotina era assistir à tevê, enquanto diuturnamente os médicos assistiam minha dor física.
Já sei, meus caros, que causei risadas pelos distintos empregos do verbo assistir. Devo confessar que foi proposital; visto que, quando o assunto é regência verbal, há um desconforto geral, e, no ambiente hospitalar, a regência ganha um significado vital!
Sem a menor sombra de dúvida, declaro que os médicos se negaram a assistir ao meu sofrimento como quem assiste a um filme. E esse elogio é extensivo a todos que estiveram comigo nesses dias em que assisti em um novo endereço.
Construções feitas, vamos às devidas explicações! No primeiro caso em que declaro “A sensibilidade dos médicos e técnicos de enfermagem, dos ASG que me assistiram”, temos o verbo assistir no sentido de “dar assistência”; fato que, pela regência verbal, indica a ausência do emprego da preposição A. Dessa forma, o “me” funciona como um complemento verbal que, por não ser preposicionado, é denominado “objeto direto”. A mesma explicação serve para “os médicos assistiam minha dor física”.
Quanto ao trecho “…assistindo na suíte 255 de um hospital de referência” e de ” assisti em um novo endereço”, fiz uso de “assistir” no sentido de “morar/residir”. Isso justifica a utilização da preposição EM (em+a=artigo).
Diferentemente, o verbo assistir ganhou o sentido de “ver/presenciar” nos trechos “Minha rotina é assistir à tevê” e “os médicos negaram-se a assistir Ao meu sofrimento como quem assiste A um filme.” Nessas construções, o verbo assistir, pela regência verbal, pede um complemento verbal preposicionado, denominado objeto indireto por ser iniciado pela preposição A. São eles: à tevê, ao meu sofrimento, a um filme”. Felizmente a equipe médica não é um mero espectador, cabendo a ela assistir o paciente para a este proporcionar a melhora do estado de saúde dos que chegam à emergência hospitalar. Reforço que a ausência da preposição A no trecho” assistir o paciente” semanticamente significa “dar assistência/ajudar”.
Sendo assim, os médicos praticam a regência perfeita: assistem o paciente com precisão, tiram a dor, mudam a regência do nosso dia de “sofrer com” para “sorrir de”. Eles regem o plantão como maestros da cura. Logo digo que em “Ao paciente assiste o direito ao cuidado”, temos mais uma possibilidade de regência de assistir que, nesse caso, significa ” direito, razão ou dever”.
Tecer esses elogios a todos que de mim cuidaram é declarar gratidão pelo atendimento e atenção a mim dados!





