Na capital, registros aumentaram 13%, com maior concentração em bairros da Zona Oeste. Denúncias podem ser feitas 24 horas por dia, de forma anônima.
As denúncias de violência contra animais cresceram no Rio de Janeiro em comparação com o ano passado. Antes mesmo do fim do ano, a central Linha Verde, do Disque Denúncia, recebeu quase 16 mil queixas. Ao longo de 2025, foram registradas mais de 14 mil ocorrências.
Além dos maus-tratos, o abandono também tem consequências para a vida urbana. A protetora Adriana Rosa, que resgata animais há 15 anos, afirma que o problema é também uma questão de saúde pública.
“A gente faz tudo por conta própria. Só eu mesmo estou com 70 aqui. Sete em hospedagem, pois não consigo colocar mais animais aqui, não se dão com outros e tem protetores com 100 e até 300 animais. E a gente fica devendo tudo. Só eu estou devendo umas três clínicas”, disse.
Bolt, um dos cães que vivem no abrigo “Toda Vida Importa”, em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, foi abandonado na rua. Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem desceu de um carro e abriu a porta traseira.
O cachorro foi retirado do veículo e saiu correndo pela calçada. O homem caminhou pela rua e, 15 minutos depois, voltou ao automóvel. Bolt correu atrás do carro, mas foi deixado para trás.
“O que aconteceu com o Bolt é muito mais comum do que as pessoas imaginam. O problema é que as pessoas não checam as câmeras do local, acabam não sabendo o que ocorre ou deixam para lá. Mas pessoas que abandonam, pessoas de carro que simplesmente abandonam na rua e, normalmente, longe de casa, acontece muito”, afirmou a protetora Ana Paula Lima.
No sítio onde funciona a instituição vivem 1,2 mil cães e gatos. Cerca de 450 animais considerados mais tranquilos ficam soltos pelo terreno. Muitos dos que vivem no local foram abandonados ou sofreram maus-tratos.
O espaço é alugado e mantido por meio de doações. Equilibrar as contas é um desafio, segundo os responsáveis pelo abrigo, já que novos animais chegam todos os dias.
“O animal é dedicação, é cuidado, tudo isso. E as pessoas esquecem disso. Animal não é objeto. São eternas crianças. Olha quanto amor eu tenho aqui”, disse Ana Paula.





