Amazônia registra menor índice para o primeiro semestre em uma década, Cerrado apresenta redução, enquanto operação em Minas Gerais identifica mais de 3 mil hectares de desmatamento ilegal na Mata Atlântica
O Brasil registrou avanços importantes no combate ao desmatamento em 2026, especialmente na Amazônia e no Cerrado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram redução das áreas sob alerta de perda de vegetação, indicando uma trajetória positiva. Ao mesmo tempo, operações de fiscalização revelam que a destruição ilegal continua sendo uma ameaça significativa, principalmente em áreas da Mata Atlântica.
Entre janeiro e junho de 2026, os alertas de desmatamento na Amazônia atingiram o menor patamar para um primeiro semestre desde o início da série histórica do sistema Deter, em 2016. Foram identificados 1.295 km² de vegetação nativa sob alerta, redução de 38% em comparação com o mesmo período de 2025.
Amazônia apresenta resultado histórico
O desempenho ganha ainda mais relevância quando observado o ciclo completo de monitoramento. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia apresentou 2.874,38 km² sob alerta de desmatamento, queda de 36% em relação ao período anterior e o menor valor da série histórica para esse intervalo. O resultado ficou 55,6% abaixo da média dos dez ciclos anteriores.
O sistema Deter utiliza imagens de satélite para emitir alertas e auxiliar as ações de fiscalização. Os dados, porém, não correspondem à taxa oficial de desmatamento, calculada pelo sistema Prodes, que possui metodologia diferente e maior precisão para a estimativa anual.
Apesar da redução, alguns estados ainda concentram grande parte dos alertas. No ciclo encerrado em julho, Pará liderou com 987,27 km², seguido por Mato Grosso, com 834,41 km², e Amazonas, com 433,9 km².
Cerrado melhora, mas continua pressionado
O Cerrado também apresentou sinais positivos. No primeiro semestre, 3.142 km² ficaram sob alerta de desmatamento, o menor patamar desde 2021 e uma redução de 6% frente ao mesmo período de 2025. Apesar da melhora, a área atingida continuou muito superior aos 1.295 km² registrados na Amazônia.
No ciclo de agosto de 2025 a julho de 2026, foram identificados 5.119,46 km² sob alerta no Cerrado, queda de 7,8%. Maranhão, Tocantins e Piauí aparecem entre os estados com as maiores áreas atingidas.
A situação reforça a preocupação com um bioma essencial para a biodiversidade e para a manutenção de importantes bacias hidrográficas brasileiras. A redução dos índices representa avanço, mas os números mostram que a pressão sobre a vegetação nativa permanece elevada.
Minas Gerais tem mais de 3 mil hectares embargados
Enquanto os indicadores nacionais apresentam melhora, ações de fiscalização continuam encontrando grandes áreas de devastação ilegal. Em Minas Gerais, a Operação Mata Atlântica em Pé 2026 embargou 3.076,53 hectares de vegetação desmatada ilegalmente entre 17 e 27 de agosto. Foram vistoriados 137 polígonos a partir de 116 alertas identificados por sistemas de monitoramento. As multas aplicadas no estado chegaram a R$ 44,4 milhões.
A operação ocorreu simultaneamente nos 17 estados abrangidos pela Mata Atlântica. Em dez dias, foram fiscalizados 1.520 alertas e confirmados 8.370,28 hectares de desmatamento ilegal em todo o bioma. Os resultados preliminares somaram mais de R$ 100 milhões em multas.
Fiscalização segue como desafio
Os dados de 2026 revelam duas faces da questão ambiental brasileira. De um lado, a redução dos alertas na Amazônia e no Cerrado demonstra que políticas de monitoramento e fiscalização podem produzir resultados. Do outro, milhares de hectares de Mata Atlântica encontrados sob desmatamento ilegal mostram que a pressão sobre os recursos naturais permanece.
Manter a tendência de queda dependerá da continuidade da fiscalização, do combate às atividades ilegais e de políticas capazes de conciliar produção, desenvolvimento econômico e conservação. Mais do que reduzir estatísticas, o desafio é transformar os avanços registrados por satélite em proteção permanente para os diferentes biomas brasileiros.





