Ministério Público afirma que pessoas ligadas à facção teriam influência sobre 12 das 22 empresas de ônibus da capital; ex-vereador nega participação em atividades criminosas
Uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público paulistano. Entre os alvos está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, contra quem foi expedido um mandado de prisão temporária por 30 dias.
Denominada Operação Vectura Corrupta, a ação busca desarticular um esquema que, segundo os investigadores, utilizava empresas de ônibus para lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e financiamento de campanhas políticas.
Embora algumas informações iniciais tenham mencionado a Polícia Federal, a operação foi conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo.
Facção teria influência sobre 12 empresas
A investigação aponta que pessoas ligadas ao PCC teriam sido inseridas como sócios, administradores, representantes ou “laranjas” em 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital. O número corresponde a mais da metade das operadoras do sistema municipal.
Segundo o Ministério Público, a facção teria utilizado as companhias para ocultar a origem de recursos provenientes de atividades criminosas. As apurações incluem documentos, informações financeiras e mensagens encontradas em aparelhos eletrônicos apreendidos em fases anteriores da investigação.
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento de outras ações voltadas ao combate da infiltração do crime organizado em setores econômicos e órgãos públicos. Mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos contra empresários, agentes públicos e intermediários suspeitos de participação no esquema.
Milton Leite e a Transwolff
Os investigadores apontam Milton Leite como suposto verdadeiro controlador da Transwolff, empresa de ônibus que já havia sido alvo de uma operação em 2024. A companhia é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro e por possíveis ligações com integrantes do PCC.
Milton Leite foi vereador durante sete mandatos e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos. Com longa trajetória na política paulistana, construiu forte influência principalmente nas regiões periféricas e nas discussões relacionadas ao transporte público.
O ex-parlamentar não foi localizado inicialmente para o cumprimento do mandado, mas declarou que se apresentaria às autoridades. Ele negou qualquer ligação com a facção criminosa e afirmou nunca ter integrado formalmente o quadro societário da Transwolff. Sua defesa sustenta que os contatos mantidos com integrantes do setor ocorreram no exercício de suas atividades políticas.
Ex-presidente da SPTrans também é alvo
A operação também alcançou Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte, a SPTrans, responsável pela gestão e fiscalização do sistema municipal de ônibus. Ele foi preso durante o cumprimento dos mandados.
Os investigadores apuram ainda se parte dos recursos movimentados pelo grupo foi utilizada no financiamento de candidaturas nas eleições municipais de 2024. A Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as autoridades e avalia medidas administrativas contra empresas citadas.
Todas as acusações ainda estão em fase de investigação. Os envolvidos têm direito à defesa, e a expedição de mandados não representa condenação. O caso, no entanto, lança um alerta sobre a possível expansão do crime organizado para serviços essenciais, contratos públicos e estruturas políticas da maior cidade do país.





