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Direito da Mulher: Alfabetizar é um direito: o projeto do professor Mário Manhães que atravessa fronteiras

Foto: Reprodução
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Toda criança tem direito de aprender a ler e a escrever. Parece uma afirmação simples, mas, em diferentes lugares do mundo, ainda existem crianças que crescem sem ter acesso a uma alfabetização adequada. E é justamente diante dessa realidade que o trabalho do professor Mário Manhães ganha importância.

O educador desenvolve um projeto com uma proposta ousada: alfabetizar crianças em um período de aproximadamente três meses, utilizando uma metodologia voltada para tornar o aprendizado mais rápido, acessível e próximo da realidade do aluno.

]O projeto já levou essa experiência ao continente africano e agora pretende ampliar suas fronteiras, chegando a Timor-Leste e Guiné-Bissau. A intenção é alcançar comunidades nas quais crianças ainda enfrentam dificuldades para ter acesso à alfabetização e mostrar que, quando existem método, dedicação e oportunidade, aprender pode deixar de ser um sonho distante.

Mas existe outro aspecto desse trabalho que merece atenção: a participação das famílias, especialmente das mães.

Quando uma mãe recebe conhecimento e ferramentas que lhe permitem auxiliar na alfabetização dos próprios filhos, o projeto deixa de alcançar somente uma criança. Ele entra dentro daquela casa.

Uma mãe que aprende como acompanhar o processo de alfabetização pode sentar-se com o filho, apresentar as letras, formar palavras, estimular a leitura e participar de suas primeiras descobertas. Mesmo onde existem poucos livros, escolas distantes ou dificuldades econômicas, o conhecimento adquirido permanece.

E isso pode mudar gerações.

Costumo falar sobre os direitos das mulheres, suas conquistas e as desigualdades que ainda precisam ser enfrentadas. Entretanto, a alfabetização nos coloca diante de um direito que pertence a todos.

Educação não é direito somente das mulheres. É direito dos homens, das mulheres e, sobretudo, de todas as crianças.

Nenhuma criança deveria ser condenada ao analfabetismo pelo lugar onde nasceu ou pelas condições financeiras de sua família.

Por isso, a proposta do professor Mário Manhães representa mais do que ensinar letras em um curto espaço de tempo. Ela nos faz pensar na alfabetização como instrumento de liberdade.

Uma criança que aprende a ler começa a descobrir o mundo por conta própria. Pode compreender uma história, interpretar uma informação, escrever seus pensamentos e sonhar com profissões e caminhos que antes talvez nem conhecesse.

E existe algo especialmente poderoso quando esse conhecimento chega também às mães.

Uma mãe que consegue ajudar a alfabetizar seus filhos não está apenas ensinando a ler. Está ajudando a escrever uma nova história para sua família.

Do Brasil à África, de Timor-Leste à Guiné-Bissau, culturas e realidades podem ser diferentes. Mas existe uma linguagem que todos compreendem: a oportunidade.

Talvez seja essa a mensagem mais bonita do projeto do professor Mário Manhães: quando oferecemos a uma criança a oportunidade de aprender, não sabemos até onde aquele conhecimento poderá levá-la.

Três meses podem parecer pouco tempo. Mas, para uma criança que descobre a leitura, pode representar o começo de uma vida inteira de possibilidades.

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