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ERROS EVITÁVEIS EM HOSPITAIS NO RIO EXPÕEM FALHAS NA ASSISTÊNCIA E ACENDEM ALERTA PARA SEGURANÇA DO PACIENTE

Foto: Vanessa Quinholle
Foto: Vanessa Quinholle

Incidentes como erros de medicação e falhas de comunicação seguem em alta e levantam debate sobre rotina hospitalar e qualidade do cuidado

Falhas na assistência à saúde continuam sendo uma preocupação crescente no Brasil, especialmente em um cenário de alta demanda por atendimentos e pressão sobre a rede hospitalar. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária apontam que o país registra quase 300 mil incidentes assistenciais por ano, incluindo erros de medicação, falhas de comunicação e problemas em procedimentos, muitos deles evitáveis. Embora os dados sejam nacionais, especialistas alertam que grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro, concentram maior volume de atendimentos, o que aumenta o risco dessas ocorrências. Em nível global, a Organização Mundial da Saúde estima que 2,6 milhões de pessoas morrem anualmente por erros evitáveis, reforçando a dimensão do problema e a necessidade de atenção ao tema.

Entre os principais desafios estão os erros mais comuns dentro do ambiente hospitalar, muitos deles ainda recorrentes mesmo sendo evitáveis. Para a Gestora Hospitalar e Enfermeira, Vanessa Quinholle, falhas em processos básicos, ausência de checagens e problemas na comunicação entre equipes seguem como fatores que comprometem diretamente a segurança do paciente. “As falhas mais comuns estão na identificação do paciente, administração incorreta de medicamentos, atrasos ou não realização de procedimentos, além de ruídos de comunicação entre as equipes. Apesar de serem evitáveis, esses eventos ainda ocorrem devido à sobrecarga de trabalho, falhas nos processos e comunicação ineficaz. A rotina dinâmica e complexa do ambiente hospitalar contribui para esse cenário, especialmente quando não há adesão rigorosa aos protocolos e barreiras de segurança bem estruturadas”, explica.

A rotina intensa dentro dos hospitais também é um ponto de atenção. A sobrecarga de profissionais, jornadas extensas e a pressão por produtividade impactam diretamente a qualidade da assistência prestada. “Este cenário impacta diretamente na segurança do paciente, pois aumenta o risco de falhas humanas, como esquecimentos, distrações e atrasos na assistência. Profissionais sob pressão constante tendem a ter redução da atenção e menos tempo para realizar checagens adequadas, o que compromete a qualidade do cuidado. Além disso, o desgaste físico e emocional pode interferir na tomada de decisão e na comunicação entre a equipe”, destaca a Gestora Hospitalar.

Diante desse cenário, fica mais evidente a importância da adoção de protocolos e práticas que ajudem a reduzir riscos e padronizar o atendimento. “A adoção e o cumprimento rigoroso de protocolos institucionais são fundamentais para a segurança do paciente. Práticas como a identificação correta, dupla checagem de medicamentos, uso de checklists assistenciais, comunicação padronizada e notificação de eventos adversos são essenciais. Além disso, investir em educação continuada, fortalecer a cultura de segurança e incentivar uma comunicação aberta entre os profissionais contribuem de forma significativa para a redução de erros. A padronização de processos e o trabalho em equipe são pilares desse cuidado”, pontua Quinholle.

Além disso, o papel do paciente e dos familiares também ganha relevância dentro desse processo. A participação ativa durante o atendimento pode contribuir para a prevenção de falhas e para um cuidado mais seguro. “Eles têm um papel importante na segurança do cuidado, podendo conferir a identificação, esclarecer dúvidas sobre medicações e procedimentos, observar se os profissionais realizam a higienização adequada das mãos antes e após os procedimentos e comunicar qualquer informação relevante sobre o estado de saúde. É fundamental que se sintam à vontade para participar ativamente, inclusive questionando de forma respeitosa, quando necessário, entendendo que a segurança do paciente é uma responsabilidade compartilhada entre a equipe de saúde e pacientes. A maioria dos erros pode ser evitada, desde que haja disciplina no cumprimento dos protocolos e compromisso real com a segurança do paciente”, finaliza Vanessa Quinholle.