Nigrum corpus” ocupa unidades de saúde com fotos, áudios e relatos reais que evidenciam desigualdades no atendimento
Uma exposição instalada dentro de dois hospitais da Barra da Tijuca, na Rio de Janeiro, tem provocado reflexão entre profissionais de saúde, estudantes e pacientes. Em cartaz até 30 de abril, “Nigrum corpus” leva para dentro dos hospitais Hospital Samaritano Barra da Tijuca e Hospital Vitória Barra da Tijuca uma imersão nos impactos do racismo no atendimento médico no Brasil.A proposta é direta: estimular um olhar crítico sobre práticas e decisões clínicas que, muitas vezes de forma inconsciente, podem ser influenciadas por vieses raciais. Ao ocupar espaços hospitalares, a mostra aproxima o debate da realidade cotidiana de quem atua — e de quem depende — do sistema de saúde.
Arte e evidências para provocar reflexão
A exposição reúne fotografias, áudios e painéis informativos que apresentam casos clínicos, contextos históricos e estudos acadêmicos. O conjunto revela como o racismo estrutural pode interferir desde o diagnóstico até a conduta médica adotada.Além dos conteúdos expositivos, a mostra conta com recursos interativos que convidam o público a participar ativamente da experiência. Profissionais e estudantes são estimulados a refletir sobre decisões tomadas no dia a dia, ampliando a consciência sobre práticas que podem perpetuar desigualdades.A iniciativa transforma o ambiente hospitalar em um espaço de aprendizado e questionamento, indo além da assistência tradicional
Relatos reais e impacto social
Idealizada pelo Instituto Yduqs em parceria com o Idomed, a exposição é inspirada no livro Nigrum corpus, criado pela Artplan. O projeto já recebeu reconhecimento dentro e fora do país por seu impacto social.A obra reúne 20 relatos de situações reais que evidenciam como o racismo pode atravessar a prática médica. Os casos vão desde diagnósticos equivocados até episódios de injúria durante atendimentos, revelando falhas que podem comprometer a qualidade do cuidado e a segurança dos pacientes.
Debate necessário na saúde
A presença da exposição em hospitais reforça a urgência de discutir o tema dentro das instituições de saúde. Especialistas apontam que o enfrentamento do racismo passa pela formação profissional, revisão de protocolos e ampliação do acesso a informações baseadas em evidências.
Mais do que denunciar, “Nigrum corpus” propõe caminhos para transformação. Ao dar visibilidade a experiências frequentemente silenciadas, a mostra contribui para a construção de um atendimento mais justo, humano e igualitário.A iniciativa destaca que reconhecer o problema é o primeiro passo para mudar práticas — e salvar vidas.





