Os ferros-velhos ilegais no Rio passaram a ser alvo de uma força-tarefa coordenada pelo Governo do Estado, que já interditou 145 estabelecimentos irregulares desde agosto de 2023. A iniciativa reúne diferentes órgãos e tem como objetivo combater a venda de peças automotivas de origem criminosa, além de reduzir impactos ambientais provocados por atividades fora das normas legais.
A interdição mais recente ocorreu em um ferro-velho localizado em Realengo, na Zona Oeste da capital, durante uma ação do Detran-RJ. No local, fiscais encontraram carcaças de veículos ocupando a calçada, impedindo a circulação de pedestres. No interior do estabelecimento, foram localizadas peças sem registro e sem as etiquetas obrigatórias que comprovam a procedência do material.
Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente também identificaram riscos ambientais. Parte do terreno era de terra batida e resíduos tóxicos provenientes dos veículos estavam sendo lançados diretamente no solo, sem qualquer sistema de contenção adequado, o que pode causar contaminação do meio ambiente.
Levantamento da força-tarefa mostra que, em 2023, 11 ferros-velhos foram interditados em Nova Iguaçu em apenas quatro meses. Já em 2024, o município do Rio de Janeiro liderou o número de interdições, com 25 estabelecimentos fechados. São Gonçalo apareceu em seguida, enquanto Itaboraí registrou 12 ocorrências no ano passado, seguido novamente por Rio de Janeiro e Nova Iguaçu.
Segundo o chefe da Diretoria Geral de Desmontagem do Detran-RJ, Alain Ramos, a fiscalização busca garantir que apenas peças regularizadas e com origem comprovada sejam comercializadas. “A força-tarefa busca fiscalizar e controlar as peças usadas de veículos de modo que não haja a venda de peças oriundas de crime”, afirmou.
Ele explicou ainda que muitos proprietários são encaminhados à autoridade policial para prestar esclarecimentos. Além das irregularidades administrativas, parte dos estabelecimentos também causa danos ambientais. Nesses casos, o material apreendido é recolhido e destinado a empresas de reciclagem, onde recebe o tratamento adequado.
Atualmente, o Detran-RJ conta com 90 empresas credenciadas para atuar no setor de desmontagem, além de outras 50 em processo de credenciamento. O órgão já etiquetou cerca de 77 mil peças, que podem ser consultadas pelos consumidores por meio do site oficial.
O Detran reforça a orientação para que os consumidores procurem apenas desmontes credenciados e verifiquem a identificação obrigatória dos estabelecimentos. A medida busca garantir mais segurança na compra de peças usadas e reduzir a circulação de produtos de origem ilegal no estado do Rio de Janeiro.



