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Fim de ano deve abrir 130 mil vagas: como contratar sem transformar o aumento das vendas em prejuízo?

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Black Friday e Natal levam empresas a reforçar equipes, mas seleção apressada e falta de planejamento podem comprometer atendimento, margem e experiência do consumidor

A proximidade da Black Friday e do Natal já movimenta o mercado de trabalho brasileiro. Comércio e serviços devem abrir cerca de 130 mil vagas temporárias e efetivas para o fim de 2026, 12 mil a mais que no ano passado, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O levantamento mostra que 26% dos empresários pretendem ampliar suas equipes e, entre as empresas que planejam contratar, metade inclui postos temporários.

Novembro concentra a maior parcela das admissões previstas, impulsionadas principalmente pelo aumento da demanda característico do período.Antes de reforçar o quadro, porém, o empreendedor precisa avaliar se o crescimento esperado realmente exige novos profissionais ou pode ser atendido com ajustes internos.

Para Patrícia Acar, Consultora de Empreendedorismo, especialista em Marketing e Vendas, da Acar Comunicação, essa decisão deve partir da capacidade atual da operação.

“O primeiro passo é analisar o histórico de vendas, identificar os períodos de maior movimento e avaliar possíveis gargalos no atendimento, na reposição de produtos, na logística e no pós-venda. Uma alternativa é reorganizar escalas, redistribuir responsabilidades, capacitar a equipe existente e automatizar processos, especialmente aqueles relacionados ao atendimento e à comunicação com os clientes”, explica.

Quando a admissão se torna necessária, a urgência característica dessa época não deve significar menor rigor na seleção. A Consultora de RH e Carreiras Viviane Peba alerta que justamente nos momentos de maior movimento uma escolha inadequada pode afetar diretamente o contato com o público.

“Além de avaliar experiências anteriores, é fundamental observar atitudes, capacidade de adaptação e disposição para aprender. Entrevistas com perguntas situacionais e simulações práticas ajudam a identificar competências de maneira ágil. A contratação pode ser temporária, mas as consequências de uma escolha equivocada podem permanecer muito depois das festas”, analisa.

A preparação para o aumento do movimento também exige atenção a diferentes áreas da operação. Com a maior demanda do período, planejamento e organização tornam-se ainda mais importantes.

“Em relação ao estoque, recomendo analisar o histórico de vendas, identificar os produtos de maior giro, negociar previamente com fornecedores e evitar compras excessivas baseadas apenas no otimismo comercial. No atendimento, é importante estabelecer processos claros, preparar a equipe para responder rapidamente às dúvidas dos consumidores e organizar canais como WhatsApp, redes sociais, loja física e e-commerce”, destaca Patrícia.

O treinamento também ganha importância diante do ritmo mais intenso do fim de ano. “Inteligência emocional, adaptabilidade, comunicação e colaboração são competências fundamentais, especialmente quando o ambiente exige agilidade e equilíbrio diante da pressão. Mas existe uma questão que precisa ser discutida: muitas empresas exigem profissionais preparados para situações desafiadoras sem oferecer a preparação necessária”, observa Viviane.

Segundo Peba, essa preparação precisa ocorrer antes que o trabalhador enfrente sozinho a rotina mais intensa do período.

“Não basta contratar alguém com potencial e esperar que essa pessoa saiba lidar sozinha com clientes exigentes, metas e imprevistos. Treinamento prático, clareza sobre expectativas e lideranças presentes fazem toda a diferença. Não podemos cobrar excelência no atendimento de quem não recebeu condições adequadas para entregar excelência”, acrescenta.

O aumento das vendas, por outro lado, não significa necessariamente maior rentabilidade. Descontos, despesas adicionais e condições de pagamento podem fazer uma campanha aparentemente bem-sucedida produzir um resultado diferente do esperado.

“Um dos erros mais frequentes é confundir crescimento de faturamento com aumento de lucratividade. Na Black Friday, por exemplo, algumas empresas oferecem descontos agressivos sem calcular adequadamente suas margens, os custos operacionais, as despesas logísticas e o impacto das condições de pagamento”, alerta Acar.

A falta de alinhamento entre as áreas envolvidas também pode comprometer os resultados quando a procura aumenta rapidamente.

“Outro problema é a falta de integração entre Marketing, Vendas e Operação. A empresa investe em divulgação, gera demanda, mas não prepara estoque, atendimento e processos para acompanhar o crescimento. Para evitar prejuízos, é fundamental trabalhar com metas realistas, acompanhar indicadores de desempenho e avaliar a rentabilidade das campanhas, não apenas o volume de vendas”, afirma a especialista em Marketing da Acar Comunicação.

O fluxo de caixa merece atenção especial nesse planejamento, principalmente quando boa parte das compras é parcelada. Patrícia lembra também que faturar mais não significa necessariamente ter recursos disponíveis no mesmo momento.

“O empresário precisa considerar os prazos de recebimento das vendas, o pagamento aos fornecedores, os custos de pessoal e as despesas adicionais da operação. Vender muito no cartão, por exemplo, não significa necessariamente ter dinheiro disponível para cumprir os compromissos imediatos”, esclarece.

Além de atender a uma necessidade sazonal, o reforço do quadro pode funcionar como período de observação para futuras efetivações. Nesse processo, Viviane recomenda que a avaliação não fique restrita aos resultados numéricos obtidos durante a temporada.

“Resultados importam, mas a forma como o profissional aprende, colabora, resolve problemas e se relaciona com as pessoas revela muito sobre seu potencial de crescimento. Acompanhamento próximo, feedbacks e critérios claros de avaliação ajudam a identificar quem pode contribuir de maneira consistente para a organização”, explica.

Para que essa possibilidade não gere expectativas equivocadas, a transparência também deve fazer parte da relação desde o início.

“É importante comunicar com transparência as possibilidades reais de efetivação. O erro de muitas empresas é enxergar apenas uma necessidade temporária de mão de obra, quando poderiam estar diante de um talento com potencial para construir o futuro do negócio”, ressalta a Consultora de Recursos Humanos Viviane Peba.

Mais do que aproveitar algumas semanas de maior movimento, Patrícia considera que o planejamento deve buscar efeitos que permaneçam depois das festas.

“O fim de ano pode representar uma excelente oportunidade de crescimento, mas a verdadeira vantagem competitiva está em transformar o aumento pontual da demanda em resultados sustentáveis, clientes satisfeitos e possibilidades de novas vendas ao longo do ano seguinte”, finaliza a Consultora de Empreendedorismo e Marketing Patrícia Acar.

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