Heloíza e Helena, de 2 anos, passaram por cinco etapas de um complexo processo cirúrgico; procedimento final durou 15 horas e envolveu mais de 50 profissionais
As gêmeas Heloíza e Helena, de 2 anos e 7 meses, morreram no último sábado (15), após serem submetidas à quinta e última etapa de uma complexa cirurgia para separação. As meninas, que nasceram unidas pela cabeça, estavam sendo acompanhadas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (HCFMRP-USP), no interior de São Paulo.
A cirurgia final começou na manhã de sábado e durou aproximadamente 15 horas. Apesar do planejamento realizado ao longo de mais de um ano e do trabalho de uma equipe multidisciplinar, as crianças não resistiram ao procedimento. O hospital informou que os detalhes sobre as causas das mortes ainda seriam apresentados posteriormente.
Um procedimento planejado em cinco etapas
A separação foi planejada para acontecer de forma gradual, com o objetivo de reduzir os riscos envolvidos em uma operação de tamanha complexidade.
As intervenções começaram em agosto de 2025. Na primeira etapa, cerca de 50 profissionais participaram do procedimento, que alcançou aproximadamente 25% da separação planejada. As etapas seguintes avançaram progressivamente na divisão das estruturas compartilhadas pelas irmãs.
Em fevereiro de 2026, a terceira cirurgia havia alcançado cerca de 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados. Na quarta etapa, realizada em março, foram implantadas bolsas expansoras sob a pele para permitir que houvesse tecido suficiente para a reconstrução dos crânios após a separação definitiva.
Tecnologia e equipe multidisciplinar
O caso exigiu um longo planejamento e o uso de diferentes recursos tecnológicos. Segundo informações divulgadas sobre o procedimento, foram utilizados exames de imagem, realidade virtual e modelos tridimensionais para auxiliar na compreensão da anatomia das meninas e na preparação das etapas cirúrgicas.
Mais de 50 profissionais de saúde e apoio participaram diretamente do processo. A complexidade exigiu a integração de diferentes áreas, em um trabalho que envolveu preparação, cirurgias e acompanhamento especializado.
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto já havia realizado anteriormente outros procedimentos de separação de gêmeos unidos pela cabeça. Segundo a RedeTV!, os dois casos anteriores tiveram desfechos diferentes, com as separações realizadas em 2018 e 2023.
Uma história marcada por esperança
A família das meninas acompanhava de perto cada etapa do tratamento. Os pais haviam se mudado de São José dos Campos para garantir que as filhas tivessem acompanhamento médico especializado. Antes da cirurgia final, familiares compartilhavam a expectativa de que a operação permitisse às meninas uma nova etapa de vida.
O desfecho, porém, foi marcado pela perda das duas crianças.
Casos como o de Heloíza e Helena evidenciam os limites e os desafios da medicina de alta complexidade. Mesmo com planejamento, tecnologia avançada e uma grande equipe especializada, procedimentos dessa natureza envolvem riscos elevados e resultados que nem sempre podem ser previstos ou controlados.
A trajetória das meninas também deixa registrado o esforço de profissionais de diferentes áreas que trabalharam durante meses na tentativa de realizar uma das intervenções mais complexas da medicina pediátrica.





