O gerente do tráfico é preso nesta terça-feira foi identificado pela Polícia Civil como o homem que atirou contra um servidor da Prefeitura de Duque de Caxias durante a remoção de barricadas no Complexo da Mangueirinha, na Baixada Fluminense. O suspeito foi localizado após dar entrada em um hospital da região com um ferimento no pé, compatível com o confronto ocorrido horas antes na comunidade Corte Oito.
A investigação teve início logo após o ataque que feriu Mário Barreto Rosa Junior, de 46 anos. Ele auxiliava equipes na retirada de bloqueios quando foi atingido por um disparo que atravessou o vidro da retroescavadeira e acertou sua clavícula. O funcionário foi socorrido inicialmente no Hospital Municipal Moacyr Rodrigues do Carmo e, em seguida, transferido para o Hospital Adão Pereira Nunes, onde passou por tomografia e análise das equipes de ortopedia e neurocirurgia.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito atuava como gerente da rede criminosa na Corte Oito e era considerado homem de confiança do responsável pelo tráfico local. Ele e outro comparsa teriam atirado contra agentes públicos e policiais que trabalhavam na remoção das barricadas. Logo após o ataque, a dupla fugiu em uma motocicleta em direção às áreas internas da comunidade.
Pouco depois, três homens foram detidos por equipes da Polícia Militar que participavam da operação naquele momento. Eles forneceram detalhes sobre a aparência do autor dos tiros e afirmaram que ele havia sido baleado no pé durante o confronto com os agentes. Horas mais tarde, quando um homem com essas características deu entrada em um hospital, policiais civis foram acionados e confirmaram sua identidade. O suspeito foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio.
A manhã foi marcada por tensão na Mangueirinha. Antes mesmo da prisão, houve relatos de disparos vindos do alto da comunidade e do sequestro de dois ônibus da Viação Santo Antônio, usados para bloquear vias internas. A movimentação intensificou o clima de insegurança na região.
Diante da escalada de ataques, o governador Cláudio Castro determinou o envio de equipes do Bope e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) para reforçar o policiamento no Complexo da Mangueirinha. O tráfego no entorno ficou congestionado ao longo da tarde, devido à ação policial e à movimentação de veículos da operação.
O governo divulgou um balanço parcial informando que, ao longo do dia, foram removidas 210 toneladas de barricadas em cinco localidades — sendo quatro prisões realizadas especificamente na Mangueirinha — além da apreensão de quatro pistolas. As equipes também seguiram com a varredura do território para localizar possíveis estruturas adicionais usadas pelos criminosos.
Coordenada pelo Gabinete de Segurança Institucional, a Operação Barricada Zero reúne várias secretarias estaduais e tem apoio das administrações municipais. Máquinas como retroescavadeiras, caminhões basculantes, betoneiras, rompedores, motosserras e maçaricos são empregadas para derrubar bloqueios erguidos por grupos armados para controlar acessos, dificultar serviços essenciais e impedir ações policiais. No primeiro dia da operação, 593 toneladas de obstáculos — entre concreto, pneus, entulho, madeira e pedras — foram retiradas de diferentes pontos da região metropolitana.





