Na terça (3/11), o Google anunciou que, nas contas de alunos do ensino fundamental e médio que usam seus programas escolares, a inteligência artificial e a busca passam a vir desligadas até que a escola as ligue. Antes, o Gemini, o assistente de IA da empresa, já chegava ligado para alunos de todas as idades, a menos que a escola o desligasse.
A primeira versão tinha uma pegadinha: quem recusasse a IA ficaria sem a busca. Houve reação negativa e, no mesmo dia, o Google recuou: a escola pode ligar só a Busca. Só que a Busca continua trazendo IA, como os resumos automáticos no topo dos resultados. Dizer “sem IA” ficou difícil, porque ela já vem dentro da ferramenta.
O Google afirma que as mudanças “dão às escolas mais escolha, não menos”. A presidente da Federação Americana de Professores respondeu que a empresa “priorizou seus interesses comerciais em vez da educação das nossas crianças”. Um levantamento de 2023 achou que quase dois terços das tarefas escolares usam algum produto do Google. E uma revisão de Stanford não encontrou estudos de alta qualidade sobre o efeito da IA no aprendizado.
Quando uma única empresa fornece quase tudo o que a escola usa, a decisão sobre IA na sala de aula fica nas mãos dela.
A lição vale também por aqui. Pais podem perguntar à escola quais ferramentas os filhos usam e com que regras. Donos de empresa e profissionais liberais podem olhar a própria dependência: se e-mail, agenda e documentos vêm do mesmo fornecedor, quem manda no seu dia a dia?
Quem fornece tudo acaba escolhendo por nós.





