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Impeachment de Moraes ganha força após mensagens de Vorcaro e sua esposa

Foto: Divulgação
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O impeachment de Moraes voltou ao centro do debate político após a divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro que teriam sido enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A revelação provocou reação de parlamentares da oposição e ampliou a pressão por medidas no Congresso Nacional.

Entre as iniciativas anunciadas está um novo pedido de impeachment do ministro. O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), informou que pretende protocolar a solicitação no Senado.

“O ministro Alexandre de Moraes não tem condição de permanecer no cargo depois da revelação de que trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. É inaceitável. Juízes do Supremo devem estar acima de qualquer suspeita, submetidos à lei e à transparência, como todos os cidadãos. O Brasil precisa acabar com a farra dos intocáveis”, afirmou Zema.

O pedido deve se somar a dezenas de outros requerimentos já apresentados contra o ministro. Atualmente, segundo dados do Senado, há mais de 40 solicitações semelhantes aguardando análise da Mesa Diretora da Casa.

Para que um pedido de impeachment avance, cabe ao presidente do Senado avaliar se aceita ou arquiva a denúncia. Caso seja admitido, é formada uma comissão especial responsável por analisar o caso antes de qualquer decisão final.

Além da proposta de impeachment, parlamentares também articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as circunstâncias das mensagens.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou requerimento para instalação de uma CPI com o objetivo de apurar possíveis irregularidades envolvendo ministros do Supremo no chamado Caso Master.

“Sem condenações prévias e com responsabilidade, é preciso garantir que todos estão sujeitos à mesma lei. Só assim o Brasil será uma república democrática real. Agora, começa a coleta de assinaturas”, declarou o senador.

Para que uma CPI seja instalada no Senado, é necessário o apoio de pelo menos um terço dos parlamentares da Casa, o equivalente a 27 assinaturas.

A repercussão do caso também chegou à Câmara dos Deputados. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) enviou um ofício à Procuradoria-Geral da República pedindo análise sobre a possibilidade de prisão preventiva do ministro por supostos crimes como obstrução de Justiça ou interferência indevida em investigações.

Em manifestações públicas, o parlamentar também fez críticas ao magistrado e afirmou que pretende continuar pressionando por apuração do caso.

Outro político que comentou o episódio foi o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), que defendeu investigação e afirmou que eventuais responsabilidades devem ser tratadas dentro dos limites previstos pela Constituição.

Enquanto isso, o ministro Alexandre de Moraes negou qualquer troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota divulgada à imprensa, a equipe do magistrado afirmou que análises técnicas realizadas nos dados do celular do empresário não indicam comunicação direta entre os dois.

“Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele em 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”, informou a nota.

Segundo o comunicado, os registros encontrados nos arquivos apreendidos indicariam que as mensagens estavam associadas a outros contatos presentes na lista telefônica do empresário.

O caso continua repercutindo nos bastidores da política nacional e pode gerar novos desdobramentos no Congresso, onde a oposição tenta reunir apoio para avançar com investigações e pedidos formais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal.

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