Diretor pernambucano construiu uma trajetória marcada por olhar crítico, estética autoral e reconhecimento nos principais festivais internacionais
Kleber Mendonça Filho é um dos nomes mais relevantes do cinema brasileiro contemporâneo. Nascido no Recife, em 1968, ele construiu uma carreira sólida ao unir crítica social, memória urbana e uma linguagem cinematográfica própria, capaz de dialogar tanto com o público quanto com a crítica especializada. Antes de se firmar como diretor, atuou como jornalista e crítico de cinema, experiência que influenciou diretamente seu rigor técnico e narrativo.
O reconhecimento internacional veio com “O Som ao Redor” (2012), longa que retrata tensões sociais em um bairro de classe média do Recife e chamou atenção por sua abordagem sutil sobre poder, violência e herança histórica. Em seguida, “Aquarius” (2016), estrelado por Sônia Braga, consolidou seu nome ao disputar a Palma de Ouro em Cannes e se tornar símbolo de resistência cultural e política no Brasil. Já “Bacurau” (2019), codirigido com Juliano Dornelles, ampliou ainda mais seu alcance ao misturar gêneros e críticas sociais em uma narrativa potente, vencedora do Prêmio do Júri em Cannes.
Ao longo da carreira, Kleber manteve um compromisso claro com a autonomia criativa, defendendo o cinema como ferramenta de reflexão social e política, sem abrir mão do entretenimento e da experimentação estética.
“O Agente Secreto” e a consagração nas premiações
Em “O Agente Secreto”, Kleber Mendonça Filho aprofunda sua investigação sobre poder, vigilância e memória histórica, apostando em uma narrativa densa e atmosferas carregadas de tensão. O filme foi amplamente elogiado pela crítica internacional, que destacou a direção precisa, o roteiro sofisticado e a capacidade do cineasta de dialogar com questões globais a partir de um olhar brasileiro.
A produção conquistou importantes prêmios em festivais e premiações ao redor do mundo, reforçando o prestígio do diretor no circuito internacional e consolidando sua posição como um dos autores mais consistentes do cinema atual. As vitórias também reafirmam a força do cinema nacional em um cenário marcado por desafios de financiamento e circulação.
Com uma filmografia coerente e provocadora, Kleber Mendonça Filho segue como referência artística e intelectual, mostrando que o cinema brasileiro pode ser, ao mesmo tempo, profundamente local e universal.





