Na reta final para o segundo turno, candidatos intensificam a disputa pelo eleitorado; pesquisas apontam cenário equilibrado e especialistas destacam desafios para o atual governo
A corrida presidencial de 2026 entra em sua fase decisiva. Nesta sexta-feira (23), último dia da propaganda eleitoral gratuita na televisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram suas mensagens finais aos eleitores antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Enquanto Lula defendeu a continuidade de seu governo, destacando avanços econômicos e sociais, Flávio Bolsonaro apostou no discurso de renovação política e convocou seus apoiadores a intensificarem a mobilização nas últimas horas de campanha.
A disputa acontece em um cenário de forte polarização, com pesquisas de intenção de voto indicando equilíbrio entre os dois candidatos.
Lula aposta nos resultados do governo
Em sua última participação no horário eleitoral, Lula afirmou que o Brasil está em condições melhores do que quando assumiu a Presidência e defendeu a continuidade de seu projeto político.
O presidente buscou reforçar a imagem de experiência administrativa e estabilidade, apresentando a reeleição como uma oportunidade de consolidar políticas públicas e ampliar os resultados alcançados durante seu mandato.
A estratégia petista procura conquistar principalmente os eleitores que ainda demonstram dúvidas sobre o futuro econômico e social do país.
Flávio Bolsonaro defende mudança
Do outro lado, Flávio Bolsonaro apresentou sua candidatura como alternativa ao atual governo. O senador reforçou o discurso de mudança e pediu que seus apoiadores mobilizassem familiares, amigos e conhecidos para comparecer às urnas.
A campanha aposta na insatisfação de parte do eleitorado com a administração federal e na força política do bolsonarismo para ampliar sua votação.
O desafio do candidato é conquistar eleitores além de sua base tradicional, especialmente aqueles que demonstram resistência à continuidade do governo petista.
Pesquisas revelam disputa equilibrada
O cenário de competitividade já aparecia em levantamentos anteriores. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de abril apontava Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno.
Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro registrava 42%, contra 40% de Lula, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
Os números evidenciavam a possibilidade de uma disputa apertada e a importância dos eleitores indecisos para a definição do resultado.
Entretanto, por se tratar de um levantamento realizado meses antes da votação, os dados não representam necessariamente a preferência atual do eleitorado.
Especialistas avaliam desafios do governo
Para o cientista político Paulo Roberto de Souza, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), os resultados administrativos nem sempre se traduzem automaticamente em aprovação popular.
Segundo o especialista, existe uma diferença entre a percepção do governo sobre suas realizações e a maneira como a população avalia essas entregas.
Ele considera que o cenário exige atenção do governo federal e aponta a necessidade de fortalecer a disputa política, além de apresentar resultados concretos.
Outro fator relevante é a dificuldade de identificar se Flávio Bolsonaro já alcançou seu limite de crescimento eleitoral ou se ainda possui espaço para conquistar novos votos.
Eleitor terá a palavra final
Com o encerramento da propaganda eleitoral gratuita, as campanhas concentram seus esforços na mobilização dos apoiadores e na conquista dos votos que poderão definir o resultado.
A eleição coloca em confronto dois discursos distintos: de um lado, a defesa da continuidade de um projeto político; do outro, a promessa de mudança na condução do país.
Em meio à polarização e às expectativas sobre o futuro da economia, da segurança pública e das políticas sociais, caberá aos brasileiros decidir, nas urnas de domingo, quem comandará o país pelos próximos quatro anos.
A decisão final pertence ao eleitor, que terá a responsabilidade de escolher os rumos do Brasil em um dos momentos mais disputados da política nacional.





