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Na campanha, Talíria Petrone veste moda negra e transforma os looks em afirmação política

Fotos: Divukgação/ Joy Dornelles
Fotos: Divukgação/ Joy Dornelles

Candidata à reeleição, deputada fedetal aposta em criações de estilistas e marcas negras, com peças que unem identidade, ancestralidade, sustentabilidade e produção artesanal

A roupa, para Talíria Petrone, está longe de ser apenas uma escolha estética. Na campanha pela reeleição à Câmara dos Deputados, a deputada federal pelo PSOL do Rio de Janeiro tem aparecido em peças de marcas e estilistas negros, numa combinação que reúne moda, identidade e posicionamento político.

Entre as marcas que passaram a fazer parte do guarda-roupa de campanha estão a Baobá Brasil, criada pela estilista Tenka Dara, a Tendência Black, de Cintia e Emanuel Pereira,
a GAH Brand, do designer e diretor criativo, Gabriel Alves, e a Linhassa, marca de Brasília especializada em peças de linho e que mantém uma parceria com bordadeiras do Núcleo Rural Águas Emendadas. As escolhas têm em comum a valorização da estética negra, do trabalho artesanal e de uma produção que procura escapar da lógica da moda descartável.

A própria Talíria conta que essa relação com a moda foi acontecendo de maneira espontânea, a partir de encontros e descobertas:

“Eu não fico gastando meu dinheiro em qualquer roupa. Quando eu encontro uma mulher negra produzindo uma roupa que tem identidade, que tem uma história, isso passa a fazer sentido para mim. Não é só vestir uma coisa bonita. É saber quem fez, como foi feita e o que aquela roupa representa”, afirma.
Peças artesanais
Uma das peças que mais chamaram a atenção da deputada Talíria Petrone nasceu de uma busca aparentemente simples: encontrar uma roupa de linho para seu aniversário de 41 anos deste ano.

“Eu estava em Brasília e queria porque queria uma roupa para o meu aniversário de 41 anos. E eu não achava, não achava uma roupa. Aí falei: eu queria um linho, vou achar um linho”, lembra.

Depois de procurar pela internet e receber uma indicação, ela chegou à Linhassa, marca criada por Duda Said em Brasília. A proposta da marca é justamente tratar o linho como matéria-prima durável, natural e de menor impacto ambiental, criando peças atemporais.

O diferencial está também na parceria com as bordadeiras do Núcleo Rural Águas Emendadas, que acrescentam às roupas o trabalho manual e a valorização de saberes tradicionais. Foi essa combinação que chamou a atenção da deputada.

“Descobri que a mulher é carioca, que veio de uma trajetória de esquerda, e que trabalha com essas bordadeiras. E aí eu fiquei encantada. É uma roupa linda, mas tem uma história por trás dela”, afirma Talíria.

A parceria da Linhassa com as artesãs também dá à roupa uma dimensão social. O trabalho manual gera renda e autonomia para mulheres da comunidade e transforma cada peça em uma produção singular, em contraponto à velocidade da chamada fast fashion.
Moda afro-urbana
Outra marca presente nos looks de Talíria Petrone é a Baobá Brasil, de Tenka Dara. Criada em 2006, a grife nasceu a partir da relação da estilista com suas raízes afro-brasileiras e de sua experiência em Moçambique. A marca trabalha com referências da cultura afro-urbana e tem a capulana como uma de suas matérias-primas características.

A própria trajetória da Baobá Brasil dialoga com aquilo que Talíria procura comunicar por meio de suas escolhas. A marca afirma ter como compromisso gerar renda e autonomia econômica para mulheres negras, idosas e periféricas, além de aproximar moda, cultura e transformação social.

Para a deputada, vestir uma criação como essa também significa reconhecer quem está produzindo.

“São roupas com mensagens fortes, com identidade. E, em geral, são produzidas por pessoas negras. Isso também é uma questão muito importante para mim”, diz.
Sustentabilidade e emponderamento
A relação de Talíria Petrone com algumas das marcas não começou necessariamente em uma loja. Em um dos casos, a roupa chegou até ela pela própria rede de militância. Ela foi presenteada com uma peça da GAH Brand, de Gabriel Alves, que usa 70% de tecidos reaproveitados a partir de descartes ou materiais que saíram de linha.

O uso de fibras naturais e tecidos tecnológicos da marca autoral garante não apenas conforto e bem-estar para o corpo, mas também um impacto mais consciente no meio ambiente.

O episódio resume uma característica que aparece em diferentes momentos de sua relação com a moda: os encontros pessoais e políticos acabam aproximando Talíria de pequenos empreendedores e criadores negros.

É também nesse circuito que aparece a Tendência Black, marca criada por Cintia e Emanuel Pereira em 2014 e que utiliza a moda como ferramenta de valorização e empoderamento da população negra. A empresa trabalha com estampas autorais e também expandiu sua atuação para o segmento de decoração.

A marca integra atualmente a programação da Feira Preta, que reúne criadores e negócios negros em diferentes áreas da economia criativa.

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