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Polícia investiga novas mortes suspeitas no Hospital Anchieta e expõe vulnerabilidade de pacientes na UTI

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Apuração da PCDF avança após denúncias de familiares e reacende debate sobre falhas de controle e proteção de pacientes críticos

A ampliação das investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre as mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga, lança luz sobre um ponto sensível do sistema de saúde: a extrema vulnerabilidade de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva. Após denúncias de familiares, a polícia passou a apurar se outros dois pacientes também podem ter sido vítimas de ações criminosas atribuídas a técnicos de enfermagem da instituição.

Segundo os relatos, os pacientes estavam internados entre agosto e setembro e receberam atendimento direto do técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos. Assim como nos casos já investigados, as mortes teriam ocorrido após paradas cardíacas súbitas, em um curto intervalo de tempo, o que levanta questionamentos sobre a segurança dos procedimentos adotados em um ambiente onde os pacientes dependem integralmente da equipe de saúde.

Reconhecimento e padrão de mortes levantam alertas

As novas suspeitas surgiram quando familiares reconheceram o nome e o rosto do técnico em reportagens sobre o caso. A repetição do padrão — pacientes em estado grave que sofrem piora abrupta e morrem — levou a PCDF a aprofundar a análise de prontuários, escalas de plantão e registros de medicação. O foco agora é identificar se houve relação direta entre a atuação dos profissionais investigados e os óbitos, além de possíveis falhas de supervisão e controle interno.

Profissionais presos e falhas sistêmicas

Até o momento, três técnicos de enfermagem foram presos, suspeitos de envolvimento direto na morte de três pacientes na UTI. A investigação aponta que medicamentos teriam sido aplicados diretamente na veia das vítimas, provocando paradas cardíacas. Em um dos casos, há indícios do uso de desinfetante, o que reforça a gravidade das acusações e expõe a fragilidade dos mecanismos de fiscalização em ambientes hospitalares.

Operação Anúbis e a busca por responsabilidades

As apurações integram a Operação Anúbis, que investiga crimes ocorridos entre novembro e dezembro de 2025. A polícia não descarta a existência de outras vítimas, nem a possibilidade de omissão de profissionais responsáveis pela supervisão. O caso evidencia como pacientes em estado crítico, muitas vezes inconscientes ou incapazes de se manifestar, ficam totalmente à mercê da ética e do controle institucional.

Dor, confiança quebrada e cobrança por respostas

Para as famílias, o sentimento é de choque e traição. Elas relatam a dor de ter confiado seus parentes a um sistema que deveria protegê-los. O caso reacende o debate sobre segurança hospitalar, fiscalização de profissionais e a necessidade de protocolos mais rigorosos para proteger quem está em situação de absoluta vulnerabilidade. A PCDF afirma que as investigações continuam e que novas revelações podem surgir com a conclusão das perícias e depoimentos.

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