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Policia Militar pode ter ignorado 51 pedidos da prefeitura para demolir construções irregulares na Rocinha

Foto: Alexandre Macieira/Riotur
Foto: Alexandre Macieira/Riotur

Seop entre 2022 e 2023 solicitavam reforço policial para operações na favela; caso ganha destaque após anúncio de imóvel de quase R$ 1 milhão para construção de quitinetes

A recente divulgação de um imóvel em construção na Rocinha, anunciado por quase R$ 1 milhão com a promessa de investimento para quitinetes, trouxe à tona um problema crônico na favela: a dificuldade do poder público em lidar com edificações clandestinas. Documentos obtidos pelo DIÁRIO DO RIO revelam que a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) enviou 51 ofícios à Polícia Militar entre 2022 e 2023, solicitando apoio para operações de demolição de construções irregulares na Rocinha. Contudo, as ações não foram realizadas. 

Os ofícios, direcionados ao comando responsável pelo policiamento na área, tinham como objetivo garantir a segurança das equipes municipais durante as demolições. O levantamento sobre a falta de ação policial ganha destaque após a notícia do imóvel anunciado nas redes sociais, que gerou grande repercussão.

O caso ganhou projeção nacional após um vídeo de um influencer exibir o imóvel, descrito como o maior da Rocinha, com 400 metros quadrados distribuídos em três andares. Essa situação expõe a fragilidade do controle urbano e a influência do mercado imobiliário ilegal dentro da comunidade.

Crise de Autoridade e o Papel das Facções Criminosas

Flávio Valle, ex-subprefeito da Zona Sul e vereador, lamenta a perda de autoridade do poder público no controle de construções. Ele relembra que, em tempos passados, a Prefeitura possuía programas como o Pouso, que contava com arquitetos e engenheiros para orientar e fiscalizar o crescimento urbano nas comunidades.

“O poder público perdeu completamente a autoridade para controlar até o que pode ser construído e o que não pode”, afirmou Valle. Ele explica que, com a descoberta de oportunidades de negócio no mercado imobiliário ilegal por facções criminosas, e a ausência de apoio policial, a Prefeitura foi gradualmente afastada dessas áreas, interrompendo um trabalho crucial de contenção do crescimento desordenado.

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