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Bombons, serenata… e um divórcio em andamento

Foto: Divulgação/Serenata ou terapia
Foto: Divulgação/Serenata ou terapia

Em janeiro de 2023, recebemos uma mensagem no WhatsApp de uma
cliente que já conhecia nosso trabalho. Dez anos antes ela havia contratado uma
serenata. Agora queria repetir a dose, mas o motivo era bem diferente.
Ela contou, sem rodeios, que tinha colocado o marido para fora de casa “a
pontapés”. Pela terceira vez.
Nas duas primeiras, ele voltou. Na terceira… já fazia três meses e nem sinal
de fumaça.
Segundo Janaina, tudo começou por causa de uma briga com a sogra. No
calor da discussão, expulsou o marido, a mãe dele e, de quebra, a paz da família.
Disse que queria tentar uma reconciliação, principalmente pelos três filhos, que
sentiam muita falta do pai.
Expliquei que serenata costuma ser excelente para declarar amor, pedir
namoro ou comemorar bodas. Agora… ressuscitar relacionamento é um serviço que
ainda não aprendemos a oferecer. Mesmo assim, como esperança é o combustível
de quem trabalha com amor, topamos a missão.
Fernando era médico, extremamente reservado. Para evitar uma cena
pública, sugerimos uma homenagem gravada. Ela adorou a ideia, escreveu uma
carta, escolheu uma música e comprou uma caixa dos bombons preferidos dele.
Quando li a carta, percebi um detalhe: tinha mais justificativas do que pedidos
de desculpas.
Falei: — Quem pede perdão abaixa a guarda, não monta uma defesa.
Ela reescreveu o texto.
No dia combinado, descobrimos em qual consultório Fernando atenderia.
Depois de subir até o 13o andar e esperar duas consultas terminarem, finalmente a
porta se abriu.
Pedi licença, me apresentei e ele me reconheceu na hora. Sorriu.
Mas foi aquele sorriso educado que dura menos que promoção de
supermercado.
Quando ouviu o nome da esposa, o semblante mudou na velocidade de um
gol contra.
— Não quero absolutamente nada que venha daquela mulher!
Ainda tentei entregar o pen drive. Recusou.
Ofereci os bombons. Recusou também, então, percebi que a coisa tava feia
mesmo.
Sem saída, ele desabafou:
— Ela me expulsa, pede desculpas, eu volto, tudo se repete. Desta vez jogou
todas as minhas roupas pela janela do apartamento. Chega! Daqui para frente, só
converso com ela pelos advogados.
Naquele momento entendi que insistir seria apenas aumentar a fila de
pacientes. Recolhi tudo, agradeci e fui embora.
Voltamos pensando em uma lição que vale mais do que qualquer serenata.

Muita gente acredita que o problema de um relacionamento é a falta de
romantismo. Quase nunca é. O que destrói um amor normalmente é a repetição do
desrespeito. A música emociona, flores encantam, bombons adoçam. Mas nenhum
deles consegue cicatrizar uma ferida que continua sendo aberta todos os meses.
Naquele dia aprendemos que existem casais que precisam de uma serenata,
e existem outros que, antes da primeira nota musical, precisam marcar uma
consulta… não com um seresteiro, mas com um terapeuta.

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