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Prisão de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, é autorizada por Moraes após descumprimento de cautelares

Foto: Redes Sociais

A prisão de Filipe Martins foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após o ex-assessor do governo Jair Bolsonaro descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. A decisão resultou na detenção preventiva realizada pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (2), em Ponta Grossa, no Paraná.

Filipe Martins estava em prisão domiciliar desde o dia 27 de dezembro, após ter sido condenado a 21 anos de prisão por envolvimento na chamada trama golpista que tentou impedir a posse do novo governo após as eleições de 2022. Entre as restrições determinadas pelo STF, estava a proibição expressa de acesso a redes sociais.

De acordo com o despacho do ministro Alexandre de Moraes, informações anexadas ao processo indicam que Martins teria acessado o LinkedIn no domingo (28), realizando buscas por perfis de terceiros. A conduta foi interpretada como violação direta das cautelares impostas pela Corte, motivando a revogação da prisão domiciliar e a decretação da prisão preventiva.

A defesa do ex-assessor negou a irregularidade e alegou que os perfis em redes sociais vinculados a Filipe Martins estariam sob administração exclusiva dos advogados, sem qualquer interferência direta do condenado. Apesar disso, o STF considerou que houve indícios suficientes para caracterizar o descumprimento da ordem judicial.

Filipe Martins é apontado pelas investigações como integrante do chamado “núcleo 2” da tentativa de ruptura institucional. Segundo a acusação, ele teria participado da operacionalização do plano golpista e apresentado ao então presidente Bolsonaro a chamada “minuta do golpe”, documento que previa medidas excepcionais para a manutenção do poder.

Natural de Sorocaba, no interior de São Paulo, Martins tem 38 anos e formação em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Ele atuou como assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República a partir de 2019, no início do governo Bolsonaro, e teve papel ativo nas articulações políticas investigadas pelo STF.

A prisão de Filipe Martins reforça a linha dura adotada pelo Supremo no acompanhamento do cumprimento das decisões judiciais relacionadas aos desdobramentos do pós-eleição de 2022.