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Rio de Janeiro registra 262 processos de violência doméstica por dia

Foto: Reprodução
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Estado recebeu 55.611 novas ações até julho; volume anual cresceu 71% em cinco anos

A Justiça do Rio de Janeiro recebeu 55.611 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026. Foram, em média, 262,32 ações por dia — aproximadamente 11 a cada hora. Os dados fazem parte de levantamento baseado no Painel de Violência contra a Mulher do DataJud, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O volume anual cresceu 71,42% em cinco anos. Foram 42.517 novos processos em 2020 e 72.883 em 2025. Na comparação com 2024, quando o estado registrou 72.251 ações, o aumento foi de 0,87%.

Em todo o Brasil, a Justiça recebeu 742.279 novos processos até julho deste ano, média de 3.501 por dia. O total nacional passou de 599.472, em 2020, para 1.133.556, em 2025, crescimento de 89,09%.

Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, o aumento dos registros pode indicar que mais mulheres estão conseguindo reconhecer a violência e procurar ajuda.

“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.

O especialista ressalta que os processos não revelam toda a dimensão da violência doméstica, porque muitos episódios permanecem sem denúncia.

“Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, afirma Tavolassi.

Medo, ameaças, dependência financeira ou emocional, vergonha e ausência de uma rede de apoio estão entre os obstáculos enfrentados pelas vítimas.

“Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”, acrescenta.

Violência vai além da agressão física

Algumas mulheres demoram a identificar a violência quando ela se manifesta por humilhações, intimidação ou controle.

“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta o advogado.

Esses comportamentos podem se tornar mais frequentes e graves ao longo do tempo. Por isso, ameaças e atitudes de controle não devem ser tratadas como discussões comuns do relacionamento.

Em uma situação de risco imediato, a orientação é buscar um local seguro e ligar para a Polícia Militar pelo número 190. O Ligue 180 oferece atendimento durante 24 horas e informa sobre os serviços disponíveis.

“Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta Tavolassi.

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