O roubo de carros elétricos no Rio passou a integrar o radar das forças de segurança após operações identificarem pontos clandestinos de recarga em comunidades dominadas pelo tráfico. Durante uma ação conjunta da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro na Vila Aliança, na Zona Oeste, agentes localizaram uma estrutura usada para abastecer veículos elétricos roubados ou furtados.
De acordo com as investigações, o ponto era utilizado por integrantes do Terceiro Comando Puro. A prática tem se tornado recorrente por oferecer vantagens ao crime, como a revenda de peças de alto valor e a facilidade de recarga por meio de ligações irregulares de energia, conhecidas como “gato”.
Outras áreas sob domínio de facções também passaram a apresentar estruturas semelhantes. Segundo a Polícia Civil, comunidades do Complexo da Maré, tanto sob controle do Terceiro Comando Puro quanto do Comando Vermelho, já contam com pontos de recarga clandestinos. O mesmo cenário foi identificado nos complexos da Penha, do Alemão e do Chapadão. A recarga direta em postes evita custos e reduz o risco de exposição dos criminosos em locais públicos.
O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, confirmou que as delegacias vêm registrando aumento no roubo desses veículos. Em ações anteriores, como na Penha, policiais encontraram carregadores residenciais do tipo wallbox instalados por traficantes para abastecer carros avaliados em mais de R$ 200 mil. Segundo ele, a possibilidade de recarga dentro das comunidades elimina a necessidade de deslocamento para postos, o que diminui o risco de abordagens.
Dados levantados pelas forças de segurança apontam dois fatores principais para o crescimento desses crimes. O primeiro é a expansão da frota de veículos elétricos no estado, que aumentou de forma significativa nos últimos anos. O segundo estaria ligado a uma reação do tráfico a operações recentes, com ordens internas para intensificar roubos de veículos em geral, impactando também os modelos elétricos.
Como resposta, a Polícia Civil mantém a Operação Torniquete, voltada ao combate ao roubo de veículos em todo o estado. A atenção, segundo Curi, está concentrada especialmente na Baixada Fluminense, com destaque para Duque de Caxias, município que lidera os registros desse tipo de crime.
Um relatório interno da corporação, baseado em dados de uma única montadora de veículos elétricos, contabilizou 54 ocorrências de roubo na Baixada Fluminense ao longo do último ano, sendo 13 apenas em Duque de Caxias. Em nota, a Light informou que atua diariamente, em parceria com as forças de segurança, no combate a fraudes na rede elétrica e que vem identificando o uso indevido da energia para abastecimento irregular de veículos elétricos, avaliando medidas técnicas e operacionais para enfrentar esse novo tipo de ocorrência.





