Entidade alerta que incertezas sobre a distribuição dos royalties podem afetar investimentos, infraestrutura, arrecadação e toda a cadeia produtiva de óleo e gás no estado
Rio de Janeiro, junho de 2026 — A discussão sobre a distribuição dos royalties do petróleo voltou ao centro do debate econômico nacional e acendeu um alerta para o setor produtivo fluminense. Para a Rio Indústria, Associação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a previsibilidade fiscal é condição indispensável para preservar investimentos, garantir segurança jurídica e manter a competitividade da indústria no estado, especialmente da cadeia de óleo e gás.
O Supremo Tribunal Federal iniciou, em maio, o julgamento de ações que discutem as regras de distribuição dos royalties do petróleo entre União, estados e municípios, em uma disputa que opõe entes produtores e não produtores. A controvérsia envolve a Lei 12.734/2012, suspensa desde 2013 por decisão liminar, e pode alterar a forma de repartição dos recursos.
Para a Rio Indústria, o tema não pode ser tratado apenas como uma discussão de arrecadação. Os royalties têm natureza compensatória para estados e municípios produtores, que concentram impactos ambientais, sociais, urbanos, logísticos e econômicos da atividade petrolífera. No caso do Rio de Janeiro, maior produtor de petróleo do país, a eventual mudança nas regras pode gerar efeitos em cadeia sobre contas públicas, investimentos em infraestrutura, capacidade de planejamento e ambiente de negócios.
“Quando se fala em royalties, não estamos falando apenas de uma receita pública. Estamos falando de previsibilidade, compensação, segurança jurídica e capacidade de investimento. Qualquer mudança brusca nessa regra afeta diretamente a confiança de quem produz, investe e gera empregos no Rio de Janeiro”, afirma Sérgio Duarte, presidente da Rio Indústria.
Entidades empresariais já estimaram que uma redistribuição poderia representar perdas de cerca de R$ 8 bilhões por ano para o tesouro estadual e R$ 13 bilhões para os municípios fluminenses. Em 2025, os royalties do petróleo renderam R$ 81 bilhões no país, segundo informações reunidas no debate setorial.
A preocupação é ainda maior porque o Rio concentra uma posição estratégica na matriz energética brasileira. Em 2025, o estado respondeu por 87,8% da produção nacional de petróleo, consolidando-se como principal polo produtor do país. A produção brasileira de petróleo e gás também bateu recorde em 2025, com crescimento de 13,3%, reforçando a relevância da atividade para a economia nacional.
Para a Rio Indústria, a cadeia de óleo e gás não se limita às plataformas e operadoras. Ela envolve fornecedores industriais, metalmecânica, logística, construção naval, tecnologia, serviços especializados, engenharia, manutenção, transporte, inovação e milhares de empregos diretos e indiretos no estado.
“O setor de óleo e gás é uma engrenagem que movimenta uma ampla rede produtiva. Quando há incerteza sobre as receitas que sustentam infraestrutura, políticas públicas e investimentos estratégicos, toda essa cadeia sente. O risco não é apenas fiscal. É industrial, social e econômico”, destaca Sérgio Duarte.
Na avaliação da Rio Indústria, a defesa dos royalties não é uma pauta regionalista, mas uma discussão sobre equilíbrio federativo, responsabilidade econômica e respeito aos territórios produtores.
“O Rio não está pedindo privilégio. Está defendendo uma compensação legítima pelos impactos de uma atividade que gera riqueza para o Brasil inteiro. Mudar as regras sem considerar essa realidade seria penalizar justamente quem sustenta parte essencial da produção energética nacional”, afirma o presidente da Rio Indústria.





