Em nova edição, bióloga Deliane Penha e cantora e compositora Josyara abordam temas que vão de pesquisas na Amazônia ao processo de experimentação musical
O Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS) e o Instituto Serrapilheira promovem, na próxima quinta (29), o segundo encontro da série “Ciência em estado de arte”, que busca aproximar o público dos debates científicos contemporâneos a partir de diferentes linguagens e formas de ver o mundo. A proposta leva ao palco cientistas e artistas para um bate-papo sobre pesquisa, arte e atualidade, em conjunto com apresentações musicais. Os encontros são realizados na área externa da galeria VÃO, espaço dedicado às intersecções entre arte e ciência e localizado na Avenida Presidente Vargas, 62, no centro do Rio. A entrada é gratuita.
Nesta segunda edição, a bióloga e professora da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) Deliane Penha, que vive em Oriximiná (PA), conversa com a cantora, compositora, instrumentista e produtora cultural Josyara, baiana de Juazeiro e um dos destaques da nova MPB. A partir de uma pergunta aparentemente simples – Como morre uma árvore? –, a conversa trata de questões sobre o fazer científico e artístico das duas convidadas e explora temas como inteligência, vulnerabilidade, adaptação e vida e morte no mundo vegetal.
Em suas pesquisas, Deliane investiga a vulnerabilidade de árvores da Floresta Nacional do Tapajós, na Amazônia, e advoga por maior protagonismo para cientistas da região, sobretudo mulheres. Em sua produção artística, Josyara combina letras poéticas, temas sociais e arranjos inovadores, em processo marcado pela experimentação, sem deixar de lado a paixão pela interpretação de outras canções. O encontro será mediado pela poeta e performer Natasha Felix.
Marcada pela proposta de unir diferentes olhares sobre o mundo, a série “Ciência em estado de arte” teve o primeiro encontro em 24 de setembro, com o tema “Plantas, memória e a história da Terra”. A edição reuniu a geóloga Adriana Alves, professora da USP que pesquisa o evento vulcânico que marcou a separação entre América do Sul e África, e o músico, pesquisador e filósofo Tiganá Santana, referência nos estudos africanos bantu no Brasil.
O terceiro e último encontro está previsto para 19 de novembro, com o tema “Cabeça nas nuvens”. A programação traz dois amantes do violão clássico: o meteorologista Micael Cecchini, que investiga a complexa formação das nuvens e sua influência no regime de chuvas da Amazônia; e o cantor e compositor Muato.
Segundo Natasha Felizi, diretora de Jornalismo e Mídia do Instituto Serrapilheira, a seleção dos cientistas e artistas convidados foi feita de forma a explorar afinidades que vão além da trajetória profissional de cada um. “A curadoria busca mostrar que, assim como a arte, a ciência é feita também de material humano, movida por paixões e produzida no limite da incerteza.”
Para Rejane Nóbrega, gerente do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ, a série é uma oportunidade de investigar questões que atravessam tanto a pesquisa científica quanto a criação artística. “As conversas são entremeadas por apresentações musicais e performances poéticas, em uma dinâmica que busca ampliar as possibilidades de divulgação científica e estimular o pensamento crítico”, afirma.
SERVIÇO
Ciência em estado de arte – edição “Como morre uma árvore?”
Data: 29/10, das 18h às 21h
Local: Área externa da galeria de artes VÃO, do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ
Endereço: Av. Presidente Vargas, 62, Centro – Rio de Janeiro
Realização: Sesc RJ e Instituto Serrapilheira
Entrada gratuita – sujeita a lotação do espaço
PROGRAMAÇÃO
24/09 – Plantas, memória e a história da Terra
Tiganá Santana e Adriana Alves
29/10 – Como morre uma árvore?
Josyara e Deliane Penha
19/11 – Cabeça nas nuvens
Muato e Micael Cecchini





